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Smart Cities25 de ago. de 2026, 22:29

TIM e COR-Rio vão usar dados de 4G/5G para mapear público no Rock in Rio

TIM e o Centro de Operações do Rio vão cruzar dados agregados e anonimizados da rede móvel para gerar mapas de calor do público no Rock in Rio 2026. A empresa promete atualização a cada 30 minutos, mas não detalha quem fiscaliza o processo.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O acordo entre TIM e COR-Rio

A partir da edição 2026 do Rock in Rio, marcada para 4 a 13 de setembro, quem for para a Cidade do Rock vai virar, sem perceber, um pontinho a mais num mapa de calor. A TIM e o Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio) vão usar dados agregados e anonimizados das redes 4G e 5G da operadora para rastrear o fluxo de público dentro do festival. Segundo a TIM, as informações não identificam ninguém individualmente e são atualizadas a cada 30 minutos — a ideia é ajudar o poder público a organizar mobilidade, segurança e resposta a emergências em tempo real.

Por que isso interessa a quem só quer ver o show

Foto: reprodução/teletime.com.br

A escala da operação chama atenção. A TIM vai instalar mais de 120 antenas inteligentes de alta capacidade, com 50% mais capacidade e até 30% mais cobertura que soluções convencionais, além de 5G Advanced para redistribuir capacidade conforme a lotação de cada área e network slicing dedicado às comunicações de segurança via Push-to-Talk. Marco Di Costanzo, vice-presidente de Desenvolvimento Tecnológico da TIM, resume: "as informações são atualizadas a cada 30 minutos. Os dados são anonimizados". Já Homero Salum, diretor de Engenharia, explicou que a distribuição das antenas segue o novo layout da Cidade do Rock, incluindo a expansão do Espaço Favela e duas novas comfort zones.

Os números por trás do mapa de calor

A operadora espera até 130 mil visitantes por dia e projeta que cerca de 60% de todo o tráfego móvel do festival passe pela rede 5G. Como referência, o Rock in Rio de 2024 já havia registrado 185 TB de tráfego de dados — volume que ajuda a entender por que o COR-Rio, que monitora trânsito, clima e ocorrências na cidade em tempo real, quer esse tipo de informação somada às próprias câmeras e sensores urbanos.

O que ainda falta explicar

Fica a pergunta que qualquer morador do Rio deveria fazer: quem vai acessar esse mapa de calor, por quanto tempo os dados agregados ficam armazenados e se há auditoria independente do processo de anonimização — ponto sensível mesmo quando a empresa garante que não há identificação individual. Nem a TIM nem o COR-Rio detalharam, até o momento, o custo da operação, os termos do contrato entre as partes ou o protocolo de descarte das informações após o festival. A LGPD dispensa consentimento explícito quando o dado é efetivamente anonimizado, mas isso não isenta o poder público de explicar, em linguagem simples, como garante que essa anonimização é irreversível. Até a abertura da Cidade do Rock, quem for ao festival segue sem saber quem fiscaliza esse fluxo de dados — só o fluxo de gente.

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