
TIM perde espaço para NuCel e regionais em relatório da XP
Análise da XP Investimentos mostra a NuCel, MVNO do Nubank, saltando de 60 mil para 1,1 milhão de clientes em menos de um ano, enquanto a TIM lidera as perdas de mercado no pós-pago.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
1,1 milhão de clientes em menos de um ano é o número que resume a virada
A NuCel, operadora móvel virtual (MVNO) lançada pelo Nubank sobre a rede da Claro, saltou de cerca de 60 mil clientes em setembro de 2025 para 1,1 milhão em julho de 2026. O salto é o centro de um relatório assinado pelos analistas Bernardo Guttmann e Luís Chagas, da XP Investimentos — a corretora e plataforma de investimentos que também opera uma área de research sobre empresas listadas na bolsa, entre elas as teles. A conclusão dos analistas: a TIM, controlada pelo grupo italiano TIM Brasil e negociada na B3 como TIMS3, é "a operadora que mais perde usuários para concorrentes".
Quem ganha, quem perde
No segundo trimestre de 2026, a Vivo (Telefônica Brasil) somou 786 mil adições líquidas no pós-pago, contra apenas 247 mil da TIM — uma diferença que a XP também atribui, em parte, ao avanço de operadoras regionais como a Brisanet, provedora de internet do interior do Ceará que expandiu para telefonia móvel e vem crescendo agressivamente no pós-pago, sobretudo no Nordeste. Em julho, a Vivo chegou a capturar 47% de todas as adições líquidas de pós-pago do país, o maior nível em dois anos, segundo a XP.
A exposição da TIM ao pré-pago — segmento mais sensível a preço e migração — é de 18% da receita, contra 8% na Vivo, o que ajuda a explicar por que a companhia sente mais o impacto da chegada de um concorrente digital como a NuCel. Do lado positivo para a TIM, a receita de serviços fixos cresceu 27% no trimestre, um contraponto parcial às perdas no móvel.
Um MVNO pensado para reter clientes bancários
A NuCel não tem rede própria: opera como MVNO sobre a infraestrutura da Claro, com planos a partir de valores populares e distribuição direta pela base de clientes do próprio Nubank. Segundo analistas, o objetivo do banco não é necessariamente maximizar receita de telecom, mas reduzir o churn bancário e aumentar o engajamento no aplicativo — uma lógica que a torna uma ameaça peculiar: compete por clientes sem competir pelas mesmas métricas financeiras das operadoras tradicionais.
O relatório da XP também avalia o avanço de outras regionais, como a Unifique, e especula sobre uma eventual disputa por participações na V.tal entre as próprias grandes teles — mas o recado central para o investidor é que a fatia de mercado que antes era disputada só entre TIM, Vivo e Claro agora tem players adicionais corroendo as bordas, com a TIM na posição mais vulnerável.