
TIM prepara serviço contra telemarketing para brigar com a Vivo
A operadora quer barrar ligações de telemarketing antes de o telefone tocar, movimento que chega meses depois de a Vivo lançar um filtro próprio hoje usado por 105 milhões de clientes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
105,1 milhões. É quantos clientes já estão cobertos pelo Vivo Anti Spam, serviço de bloqueio de telemarketing lançado pela concorrente em novembro de 2024. É essa base que a TIM mira agora, ao confirmar que desenvolve um serviço próprio contra ligações de telemarketing.
Como deve funcionar
Diferente de aplicativos como o Truecaller, que rodam no aparelho do usuário, o filtro da TIM atua na própria rede telefônica, barrando a ligação antes mesmo de o telefone tocar. A operadora pretende contratar uma empresa terceirizada para desenvolver a tecnologia — a Vivo, em contraste, construiu a solução internamente, com elementos de inteligência artificial. O serviço será gratuito, com opção de desativação pelo cliente, e ainda não tem prazo fechado: a estimativa é de vários meses até entrar em operação.
A briga na Anatel
O lançamento da TIM acontece em meio a uma disputa regulatória: operadoras concorrentes, incluindo a própria TIM, Algar, IDT e Adyl Telecom, reclamaram à Anatel, agência que regula as telecomunicações no Brasil, que o algoritmo da Vivo bloqueia também ligações legítimas — a Adyl relatou cerca de 700 bloqueios indevidos por dia, incluindo chamadas de hospitais. A Anatel, porém, indeferiu o pedido da TIM contra o modelo da Vivo e recomendou que o setor todo adote soluções parecidas. Em decisão publicada em 8 de setembro de 2026, o órgão, sob o presidente Carlos Baigorri, suspendeu parcialmente a norma que impedia operadoras de isentar suas próprias chamadas em massa dos mecanismos antispam.
Quem ganha e quem perde
Para o consumidor, mais operadoras oferecendo bloqueio de telemarketing tende a significar menos ligações indesejadas — mas o histórico de bloqueios indevidos da Vivo mostra que o filtro também pode barrar chamadas legítimas, como as de hospitais e prestadores de serviço. Para a TIM, alcançar paridade com a concorrente é hoje um argumento de venda tanto quanto de retenção de clientes.