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CiênciaMercado21 de out. de 2026, 09:33Atualizada em 23 de out. de 2026, 00:59

Todo mundo quer um foguete médio nos EUA, mas alguém quer mesmo vencer essa corrida?

Com o Falcon 9 da SpaceX esgotado por anos de contratos, uma fila de foguetes de médio porte disputa o espaço que ele deixou livre nos EUA. A Ars Technica questiona se alguma dessas apostas — da ULA à Rocket Lab — está realmente pronta para assumir essa demanda.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pense numa rodovia com uma única pista livre e um pedágio cheio de carros esperando — é mais ou menos esse o retrato do mercado de lançamentos espaciais nos Estados Unidos hoje. O Falcon 9, da SpaceX, está reservado com contratos por anos, e isso abriu um buraco de demanda que uma fila de foguetes concorrentes tenta preencher. A pergunta que a Ars Technica faz em reportagem publicada em 20 de outubro é direta: alguma dessas empresas realmente quer — e consegue — vencer essa corrida pelo chamado "medium-lift", a categoria de foguetes de médio porte?

O que está confirmado

Hoje, nenhum outro foguete americano em operação ocupa a faixa de carga do Falcon 9, que pode levar até 23 toneladas à órbita baixa. A ULA (United Launch Alliance, joint venture entre Boeing e Lockheed Martin) opera o Vulcan Centaur, que voou com sucesso por primeira vez em janeiro de 2024 e hoje atende principalmente a Força Espacial dos EUA e o projeto de satélites Kuiper, da Amazon — mas é um foguete pesado, de categoria e preço diferentes da faixa média. A Blue Origin, empresa espacial fundada por Jeff Bezos, desenvolve o New Glenn, parcialmente reutilizável, também mais próximo da categoria pesada.

Quem mais se aproxima do nicho deixado pelo Falcon 9 é a Rocket Lab, empresa neozelandesa-americana conhecida pelo pequeno foguete Electron, com o Neutron: projetado para levar até 13 toneladas à órbita baixa, bem mais que o Electron (300 kg) e perto do teto do Falcon 9. Mas o Neutron teve sua estreia adiada do quarto trimestre de 2026 para 2027, após uma falha identificada numa peça estrutural de fibra de carbono.

Outras apostas também correm por fora: a Relativity Space desenvolve o Terran R, já incluído em contrato de serviços de lançamento da NASA; a Stoke Space trabalha no foguete Nova, voltado à certificação para lançamentos de segurança nacional; e a Firefly Aerospace, em parceria com a Northrop Grumman, segue com o MLV ("Medium Lift Vehicle") em desenvolvimento. Em julho, a Força Espacial dos EUA ampliou para sete o número de fornecedores qualificados no programa de lançamentos de segurança nacional (NSSL Phase 3, Lane 1), incluindo Relativity e Impulse Space.

O que é interpretação

A constatação de que "o mercado precisa desesperadamente de mais capacidade" é consensual entre analistas do setor. Mas a provocação da Ars Technica — se alguma dessas empresas tem, de fato, interesse e estrutura para brigar pela liderança do segmento médio, dado o custo de desenvolver um foguete reutilizável do zero — é uma leitura editorial sobre um cenário ainda em movimento, não um fato estabelecido.


Atualização (23/10, 00:59): No balanço trimestral da Meta, Mark Zuckerberg detalhou planos para uma rede global de agentes Muse que comprariam, trabalhariam e negociariam entre si em nome dos usuários.

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