
Tombo bilionário: ações de bets caem até 34% no mundo após proibição no Brasil
A Better Collective liderou as perdas com queda de 33,8% em Estocolmo, enquanto Flutter e Entain também sangraram na bolsa após o governo brasileiro proibir as apostas esportivas. O mercado de R$ 60 bilhões ao ano vira dor de cabeça global.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
34% é o tamanho do estrago
Trinta e quatro por cento. Foi essa a maior queda registrada em uma única sessão entre as gigantes globais de apostas esportivas depois que o governo brasileiro publicou, na sexta-feira (25/9), a medida provisória que proíbe a exploração de bets e jogos online no país. Quem sentiu o soco mais forte foi a Better Collective, empresa dinamarquesa de mídia e afiliados do setor de apostas, que viu suas ações recuarem 33,8% na Bolsa de Estocolmo. Não é pouca coisa para uma companhia que projetava cerca de 45 milhões de euros em receita só com o Brasil neste ano.
Quem mais sangrou — e quem escapou
Foto: reprodução/infomoney.com.br
A lista de perdedores é longa. A Flutter Entertainment, dona da Betfair e da Betnacional, caiu 6,5% em Nova York e já avisou ao mercado que a proibição pode tirar US$ 70 milhões (cerca de R$ 365 milhões) de sua receita em 2026, com impacto de US$ 20 milhões no resultado operacional. Entain, dona da Sportingbet, recuou 3,85% em Londres. Allwyn, Playtech, Evolution, Betsson e Kambi completam o placar negativo, todas na casa de 1% a 5% de queda. Do outro lado, a MGM Resorts praticamente empatou, com leve alta de 0,15% — sinal de que o mercado já precifica a empresa americana como menos exposta ao Brasil.
O múltiplo que ninguém queria pagar
O Brasil não é um mercado qualquer para o setor: são cerca de R$ 60 bilhões apostados por ano, um dos maiores volumes do mundo em bets regulamentadas havia pouco mais de um ano. Com a proibição, a Better Collective já cortou pela metade sua projeção de crescimento orgânico, de uma faixa de 7%-12% para 3%-8%, e suspendeu as metas financeiras para 2027 e 2028 — o tipo de sinal que costuma assustar investidor de growth stock, que paga múltiplo alto justamente na aposta de expansão contínua.
O relógio está correndo
A medida provisória, que precisa de aval do Congresso em até 120 dias para não perder validade, já trava o operacional das empresas: novos depósitos foram proibidos a partir de 25 de setembro, o prazo para saque termina em 5 de outubro às 23h59, e sites e aplicativos devem sair do ar em 6 de outubro. Bancos recebem os saldos entre 7 e 8 de outubro, com devolução aos usuários prevista para o período de 9 a 14 de outubro. Para as bets, o Brasil deixou de ser terra fértil e virou passivo contábil da noite para o dia.