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IAMercado09 de out. de 2026, 11:03

Tony Fadell explica por que os gadgets de IA de primeira geração fracassaram

O criador do iPod e ex-CEO da Nest diz que pins e gadgets de IA como o Humane AI Pin e o Rabbit R1 eram "tecnologia interessante para geeks", não soluções reais. Para ele, a próxima onda só vence se conquistar a confiança do consumidor.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Quando a novidade não resolve nenhum problema

Imagine comprar uma furadeira cara, cheia de luzes e sensores, para descobrir que ela não faz buracos na parede — só pisca bonito. Foi mais ou menos essa a sensação deixada pela primeira geração de gadgets de inteligência artificial, segundo Tony Fadell, o engenheiro conhecido como "pai do iPod" e que também foi CEO da Nest, fabricante de termostatos inteligentes comprada pelo Google por US$ 3,2 bilhões.

Em entrevista ao TechCrunch, Fadell foi direto ao analisar fracassos recentes como o Humane AI Pin — um broche de IA vendido por US$ 699 que foi descontinuado em 2025 após vender parte dos ativos à HP por US$ 116 milhões — e o Rabbit R1, dispositivo que prometia substituir o smartphone. Na avaliação dele, nenhum dos dois resolveu um problema de verdade: "Em cada um desses casos, nenhum deles atendeu a qualquer tipo de necessidade — era só tecnologia interessante para geeks", afirmou.

O jargão do "assistente" que ninguém entende

Aqui vai a tradução em bom português de um erro clássico de quem cria tecnologia: confundir o que é óbvio para o engenheiro com o que é óbvio para o usuário. Fadell nota que boa parte do entusiasmo em torno de assistentes de IA vem de dentro da própria bolha tech. "A maioria dos consumidores nem sabe o que é um assistente", disse ele, completando que o burburinho é, na prática, "um bando de gente que tem assistentes dizendo isso". É como vender um carro autônomo anunciando o motor de última geração, quando o motorista médio só quer saber se chega em segurança ao trabalho.

Confiança não se compra, se constrói

O outro lado do argumento — e é aqui que Fadell aposta as fichas do futuro — é que a próxima onda de IA só vai emplacar se conquistar confiança, algo que não se instala com uma atualização de software. Ele compara ao próprio processo pessoal de aprender a confiar em um assistente humano: "Levou alguns anos, primeiro, para entender como melhor utilizá-lo e, depois, para confiar a ele os dados mais sensíveis." Ou seja, é a mesma lógica de confiar as chaves de casa a um novo porteiro: a confiança nasce do tempo e da repetição, não de uma promessa de marketing.

Para Fadell, isso muda o tipo de empresa que pode vencer essa corrida. Em vez de startups tentando reinventar a roda com um aparelho isolado, ele acredita que o caminho passa por companhias que já têm ecossistema de hardware instalado e reputação de segurança construída — processando a IA localmente, no próprio dispositivo, para preservar a privacidade. "A única empresa que eu vejo capaz de fazer isso agora — talvez mais uma — é a Apple", disse. No fim, o recado é que "confiança e segurança serão fundamentais em qualquer coisa que entregarmos a algum tipo de inteligência" — resumindo, a tecnologia pode ser revolucionária, mas sem confiança, ela não sai da gaveta.

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