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Ciência23 de set. de 2026, 20:58

Toyota põe trabalhadores para treinar robôs humanoides e promete não substituir humanos

A montadora japonesa já usa funcionários de fábrica para ensinar movimentos ao robô Eley, parte de um plano que prevê até 400 mil robôs em unidades próprias e de fornecedoras a partir de 2028. A empresa garante que a automação vai coexistir com os empregos, não eliminá-los.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: 400 mil robôs é mais gente do que a população de várias capitais brasileiras

A Toyota, uma das maiores montadoras de veículos do mundo, confirmou um plano para colocar cerca de 400 mil robôs de fábrica em operação a partir de 2028 — sendo 150 mil em plantas da própria montadora e 250 mil distribuídos entre fornecedoras do grupo. O investimento anual estimado é de até 1 trilhão de ienes, cerca de US$ 6,4 bilhões, segundo a empresa.

O que já é realidade: funcionários ensinando o robô a usar as mãos

Diferente de promessas futuras, um passo já está em andamento: trabalhadores das fábricas da Toyota estão treinando o robô humanoide batizado de Eley (Embodied Learning robot for Enhanced Yield), que pesa 50 kg, tem duas garras em vez de mãos completas e se desloca sobre rodas — não anda como um humano. Os funcionários usam dispositivos em formato de dedo, moldados a partir das garras do robô, para gerar dados de treinamento a partir de demonstrações reais, em vez de depender só de simulações. Em uma apresentação a investidores na sede europeia da Toyota, em setembro, o Eley dobrou camisetas com precisão quase perfeita depois de 1.500 repetições de prática ao longo de duas semanas.

A promessa da empresa: coexistência, não substituição

O vice-presidente executivo da Toyota, Hiroki Nakajima, declarou que a companhia busca "um mundo em que os robôs coexistam com os humanos, em vez de substituí-los". Segundo a montadora, os robôs devem assumir as tarefas mais repetitivas e desgastantes da linha de montagem, enquanto trabalhadores seriam realocados para funções de supervisão e colaboração com as máquinas — incluindo, no médio prazo, ajudar a treinar novos funcionários humanos. Vale destacar: essa é uma meta declarada pela empresa, não um resultado já verificado, e depende de como a automação avançar na prática ao longo dos próximos anos.

O contexto: uma corrida entre montadoras

A Toyota não está sozinha. BMW já testa robôs da Figure AI movendo componentes em sua fábrica de Spartanburg, nos Estados Unidos; a Mercedes-Benz avalia humanoides da Apptronik; a Hyundai, dona da Boston Dynamics, planeja usar robôs para organizar peças para trabalhadores humanos; e a Tesla segue investindo no Optimus, de Elon Musk, chegando a pausar parte da produção dos modelos S e X em uma fábrica na Califórnia para abrir espaço à fabricação de robôs. A Toyota também usa robôs da Agility Robotics em ao menos uma fábrica no Canadá.

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