
Toyota retoma fábrica destruída por vendaval e mira marcas chinesas
Um ano após um vendaval destruir parte da fábrica de motores em Porto Feliz (SP), a Toyota reativa a fundição e prepara uma ofensiva de produtos para conter o avanço das montadoras chinesas no Brasil.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Um ano depois, a fundição volta a funcionar
Exatamente um ano após um vendaval destruir parte da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), em 22 de setembro de 2025, a montadora retomou nesta semana a etapa de fundição na unidade original. Cerca de 150 funcionários devem voltar ao posto até o fim de 2026, com capacidade inicial estimada em 400 motores por dia. A operação completa da planta reconstruída, porém, só deve acontecer em 2028 — quando a fábrica, com estrutura metálica reforçada, deve chegar a cerca de 700 motores diários.
Como a Toyota evitou parar as linhas
Foto: reprodução/gurudoscarros.com.br
O temporal arrancou parte do telhado da fábrica e chegou a arremessar um carro em meio aos escombros, segundo relatos da época. Não houve mortes, mas o estrago estrutural foi grave o suficiente para zerar a produção local de motores por meses. Para não travar as linhas de montagem de Sorocaba e Indaiatuba, a Toyota recorreu à importação de motores de outras unidades e recuperou quase 800 equipamentos que sobreviveram ao desastre. Desde janeiro de 2026, um galpão alugado em um condomínio industrial a cerca de 11 km da fábrica original mantém a usinagem e a montagem do motor 1.5, usado no Yaris Cross, em ritmo de aproximadamente 400 unidades por dia — já soma cerca de 42 mil motores produzidos nesse esquema provisório. A produção nacional do motor 2.0 Dynamic Force, do Corolla, segue importada e só deve voltar a sair de Porto Feliz em 2028.
A mira nas marcas chinesas
O episódio expõe a pressão que a Toyota enfrenta num mercado brasileiro cada vez mais disputado pelas marcas chinesas, que em 2026 cresceram acima da média do setor. A resposta da montadora japonesa passa por reforçar o portfólio de híbridos: uma versão híbrida convencional mais potente, com 184 cv combinados, deve rodar ao lado da tradicional opção flex, numa tentativa de diferenciar tecnologia frente a rivais como BYD (montadora chinesa que já opera fábrica própria na Bahia) e GWM (Great Wall Motor, que investe em unidade em Iracemápolis, também no interior paulista).
Quem ganha e quem perde
No curto prazo, quem ganha é a Toyota, que evitou uma parada total das fábricas de veículos mesmo com a planta de motores fora de operação por um ano — um teste de resiliência de cadeia de suprimentos que poucas concorrentes locais teriam suportado sem desabastecer concessionárias. Quem perde, por ora, é o cronograma de nacionalização do motor 2.0: só volta a ser produzido em solo brasileiro em 2028, o que mantém parte da cadeia dependente de importação por mais dois anos. Para o consumidor, o efeito prático é a aposta em híbridos mais robustos como resposta direta ao preço agressivo dos modelos chineses, num mercado em que o critério de decisão de compra está migrando rapidamente para tecnologia e eficiência.