
TP-Link enfrenta 4 processos estaduais nos EUA e banimento da FCC
Flórida, Iowa, Montana e Nebraska processam a TP-Link por esconder riscos de segurança e laços com a China, enquanto a fabricante de roteadores segue sem aval da FCC para vender modelos novos nos EUA.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A TP-Link, fabricante chinesa de roteadores com sede declarada em Irvine, na Califórnia, acumula problemas regulatórios e judiciais nos Estados Unidos. Em 6 de outubro de 2026, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, processou a empresa em Polk County, acusando-a de violar a lei estadual de práticas comerciais enganosas ao esconder riscos de segurança dos roteadores e minimizar seus vínculos com a China. No mesmo dia, Iowa, Montana e Nebraska abriram ações parecidas, somando quatro processos estaduais — o Texas já havia processado a empresa em fevereiro.
Segundo a Flórida, modelos como TL-WR940N, Archer C7 e Archer AX21 foram explorados em ataques ligados a grupos chineses e à agência de inteligência militar russa (GRU), e parte deles não recebe mais atualização automática de firmware. A ação também aponta que a TP-Link mantém cerca de 11 mil funcionários na China contra apenas 305 nos EUA, com pesquisa e desenvolvimento concentrados em Shenzhen. Em junho, o Departamento de Defesa dos EUA já havia classificado a TP-Link Technologies como "empresa militar chinesa".
Foto: reprodução/ppc.land
O caso se soma a outra dor de cabeça: desde março de 2026, a FCC (órgão regulador de telecomunicações dos Estados Unidos) incluiu roteadores fabricados no exterior em sua "Covered List", travando a autorização de modelos novos. A TP-Link pediu uma aprovação condicional à agência, alegando ser uma empresa americana e prometendo investir em manufatura e P&D no país — mas o pedido segue sem decisão. A concorrente Asus já obteve o aval da FCC; a TP-Link, não, o que trava o lançamento da nova linha Wi-Fi 8 da marca.
A empresa rebateu os processos estaduais por meio do diretor de assuntos corporativos, Steve Kovsky, dizendo que as ações se baseiam em "premissas falsas" e negando controle por governo estrangeiro ou compartilhamento de dados com terceiros não autorizados.
Foto: reprodução/tomshardware.com
Quem é afetado
- Consumidores que já têm roteadores TP-Link em casa: a restrição da FCC vale só para autorização de modelos novos;
- Quem pretende comprar um roteador TP-Link recém-lançado nos EUA, como a linha Wi-Fi 8;
- Usuários dos modelos citados nos processos (TL-WR940N, Archer C7 e AX21), que podem estar sem atualizações de segurança.
O que fazer agora
- Verifique se seu roteador recebe atualizações de firmware automáticas pelo app ou painel do fabricante;
- Troque a senha padrão do roteador e do Wi-Fi e ative autenticação em duas etapas, se disponível;
- Considere migrar para outro modelo caso o seu não receba mais suporte de segurança;
- Acompanhe comunicados oficiais da TP-Link e da FCC antes de comprar lançamentos recentes da marca nos EUA.