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Mercado21 de out. de 2026, 09:32Atualizada em 21 de out. de 2026, 15:48

TP-Link oferece US$ 1 bi para furar bloqueio e vender roteador nos EUA

Enquanto Netgear, Asus e Amazon já venceram a disputa regulatória com a FCC, a TP-Link promete investir cerca de US$ 1 bilhão em montagem doméstica para tentar reverter a trava que a impede de vender roteadores Wi-Fi 8 nos Estados Unidos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 1 bilhão é a cifra que a TP-Link está colocando na mesa para voltar a vender nos EUA

Enquanto concorrentes já cruzaram a linha de chegada regulatória, a fabricante chinesa de equipamentos de rede TP-Link decidiu jogar pesado: prometeu investir cerca de US$ 1 bilhão em pesquisa e manufatura nos Estados Unidos para conseguir a liberação de seus novos roteadores Wi-Fi 8 no mercado americano. O detalhe que explica a urgência: rivais como a fabricante de equipamentos de rede Netgear, a taiwanesa Asus e a varejista Amazon (com sua linha Eero) já obtiveram aprovação condicional da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, órgão regulador de telecomunicações do país) para lançar produtos novos, e a TP-Link não.

De onde vem a trava

Desde março, a FCC incluiu fabricantes de roteadores — TP-Link entre eles — numa lista que veta a venda nos EUA de equipamentos de uso doméstico produzidos total ou parcialmente fora do país, sem aprovação prévia. A motivação declarada foi uma revisão de segurança articulada pela Casa Branca sobre o risco de que roteadores importados fossem usados para comprometer infraestrutura crítica americana. Para a TP-Link, o efeito prático é duplo: não pode lançar os novos modelos Wi-Fi 8, mas ainda pode escoar o estoque já aprovado — uma vantagem que a Netgear, em relatório financeiro (8-K) à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), chegou a tratar como benefício comercial diante da concorrente paralisada.

A cartada da fábrica no Mississippi

Para tentar reverter o quadro, a TP-Link assinou carta de intenção com a americana Keytronic para que a fábrica da parceira em Corinth, no Mississippi, assuma a montagem da linha de roteadores Wi-Fi 8 da companhia nos EUA. A empresa já protocolou pedido de aprovação condicional na FCC para dois modelos Wi-Fi 8 — pedido feito em 13 de outubro e ainda sem resposta — vinculado à promessa de investimento doméstico. Segundo a TP-Link, a montagem local do novo portfólio pode começar já no ano que vem, mas tudo depende do aval regulatório, que até agora não veio.

Quem ganha, quem perde

No tabuleiro competitivo, o saldo por ora pesa contra a TP-Link: enquanto ela negocia fábrica e cifras bilionárias para contornar a barreira, Netgear, Asus e Amazon já têm liberdade para lançar produtos novos nos EUA. A disputa ainda tem um capítulo à parte — a TP-Link processa a Netgear, acusando a rival de espalhar insinuações falsas sobre supostos vínculos da companhia com o governo chinês, inclusive em teleconferências de resultados. A TP-Link também enfrenta ações judiciais movidas por procuradores-gerais de 21 estados americanos por preocupações de cibersegurança. Até a barreira regulatória cair, o mercado americano de roteadores domésticos segue redesenhado às custas da fabricante chinesa.


Atualização (21/10, 15:48): Atualização: Na esteira do bloqueio a roteadores estrangeiros imposto pelo governo Trump, a TP-Link deu um passo concreto para tentar reverter a situação nos EUA: assinou uma carta de intenção com a fabricante americana Key Tronic para montar roteadores em solo americano, numa fábrica de 305 mil pés quadrados em Corinth, no Mississippi. Segundo registro feito pela empresa à FCC em 13 de outubro, os roteadores Wi-Fi 8 — justamente os modelos mais recentes da marca, ainda impedidos de entrar no mercado americano — devem estar entre os primeiros produtos a sair dessa linha de montagem, com início previsto para 2027, caso o acordo avance e receba aval dos reguladores.

O CEO da TP-Link, Jeffrey Chao, afirmou que "este memorando com a Key Tronic demonstra nosso firme compromisso em expandir a manufatura doméstica avançada e estabelecer os Estados Unidos como nossa base para entregar soluções de conectividade seguras e confiáveis". Já o porta-voz da empresa, Steve Kovsky, em entrevista ao site The Verge, foi mais cauteloso ao detalhar os limites reais do plano: reconheceu que diversos componentes, sobretudo semicondutores e peças microeletrônicas, simplesmente não têm fornecedor doméstico disponível e continuarão sendo importados — um problema que, segundo ele, "não é uma questão exclusiva da TP-Link", mas afeta qualquer fabricante tentando trazer produção para os EUA.

Vale destacar que o acordo ainda está em estágio de carta de intenção, sem contrato definitivo, e que a TP-Link ainda não obteve da FCC a isenção (waiver) que outras fabricantes já conseguiram para continuar vendendo seus produtos no país — ou seja, mesmo com a promessa de fabricação local, a empresa segue, por ora, fora do mercado americano com seus roteadores mais novos.

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