tech & talk
Mercado16 de set. de 2026, 15:16

Trabalho por app cresce 9,1% no Brasil, mas informalidade chega a 72%

Levantamento do IBGE mostra que 2 milhões de brasileiros já trabalham por aplicativos, mas o avanço vem acompanhado de jornadas mais longas, renda menor por hora e quase nenhuma proteção previdenciária.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

2 milhões de trabalhadores, e a conta não fecha para todo mundo

O trabalho por aplicativos no Brasil chegou a 2 milhões de pessoas em 2025, um crescimento de 9,1% em um ano e de 36,8% em relação a 2022. O número, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — órgão federal responsável pelas estatísticas oficiais do país — dentro do módulo experimental da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), tem uma segunda leitura menos animadora: a informalidade nesse universo já é quase o dobro da observada no restante do mercado de trabalho.

Quem ganha: as plataformas de transporte e entrega

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

A expansão é puxada pelo transporte de passageiros e pela entrega de produtos, que respondem juntos por mais de três quartos dos ocupados do setor — 75% dos profissionais de transporte, armazenagem e correio já trabalham via plataformas. Entre entregadores, o crescimento anual foi de 18,6%. É o segmento em que aplicativos como os de corrida e delivery seguem capturando mão de obra que não encontra outra colocação: essa foi, segundo o levantamento, a principal motivação apontada pelos próprios trabalhadores para aderir ao modelo, à frente da flexibilidade de horários.

Quem perde: o trabalhador na ponta

Foto: reprodução/oparana.com.br

O retrato individual é o que expõe a fragilidade do modelo. A informalidade entre quem trabalha por aplicativo bateu 72,1%, contra 42,7% dos demais trabalhadores. A cobertura previdenciária despenca na mesma proporção: só 34% dos plataformizados contribuem para a Previdência, ante 63% no restante do mercado formal privado.

O custo aparece também no bolso e no relógio. Quem trabalha por app recebe R$ 16,20 por hora, 12% menos que os R$ 18,40 dos não plataformizados — e para isso cumpre 5,4 horas a mais por semana. A renda mensal até se equipara à média do setor privado, mas só porque a jornada é mais longa.

O perfil e o que vem pela frente

O grupo é majoritariamente masculino (84,4%) e concentrado na faixa de 25 a 39 anos. Como a pesquisa é experimental e mudou de metodologia entre as edições — a de 2025 passou a incluir quem usa apps como renda complementar, não só como ocupação principal —, a comparação direta com 2022 e 2024 tem ressalvas. Ainda assim, a tendência é consistente: mais gente migrando para o modelo, com direitos cada vez mais distantes.

trabalho por aplicativoibgeinformalidadegig economypnad contínua
Compartilhar