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Ciência25 de ago. de 2026, 12:20

Transformadores de estado sólido viram aposta para alimentar data centers de IA

Com racks de IA já consumindo mais de 100 kW e caminhando para 1 MW, startups como Heron Power e Hyperscale Power levantam dezenas de milhões de dólares para substituir transformadores de 140 anos de tecnologia.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Um rack de servidores dos mais recentes da Nvidia hoje consome mais de 100 quilowatts — o equivalente à energia usada por dezenas de casas ao mesmo tempo, espremida num armário de metal do tamanho de uma geladeira grande. Os próximos racks da empresa já estão sendo projetados para chegar a 1 megawatt: energia suficiente para abastecer cerca de mil residências, concentrada numa única fileira de equipamentos. É essa escalada que está empurrando um pedaço da infraestrutura elétrica que não muda de forma há mais de um século — o transformador de núcleo de ferro — para fora do design de data centers de IA.

O que está confirmado

Segundo o CEO da startup suíça Hyperscale Power, Daniel Rothmund, os sistemas atuais de transformadores e retificadores usados para alimentar racks de IA já são, hoje, mais do que o dobro do tamanho dos próprios racks que abastecem — um desequilíbrio que a indústria não tinha antes da explosão de consumo energético da IA. Rothmund, com doutorado pela ETH Zurique, projetou durante a pesquisa um transformador de estado sólido com 99,1% de eficiência; sua empresa levantou uma rodada seed de 5 milhões de euros liderada por World Fund e Vsquared Ventures.

A disputa por essa tecnologia já atraiu mais de US$ 330 milhões em investimentos combinados em concorrentes como Amperesand (incubada pela Temasek), DG Matrix (com apoio da ABB) e Heron Power — fundada por Drew Baglino, ex-executivo da Tesla. Só a Heron Power fechou uma rodada Série B de US$ 140 milhões em fevereiro de 2026, com Andreessen Horowitz e Breakthrough Energy Ventures entre os líderes, para construir uma fábrica capaz de produzir 40 gigawatts por ano de seus conversores de energia em média tensão, com produção em escala prevista para a segunda metade de 2027. A Amperesand, por sua vez, levantou uma Série A de US$ 80 milhões em novembro de 2025 mirando 30 megawatts de implantações comerciais em 2026.

O que é hipótese

Ainda é promessa de mercado, não realidade instalada em escala: os transformadores de estado sólido prometem cortar drasticamente o peso e o volume dos equipamentos convencionais e permitir conexão mais rápida à rede de média tensão, mas a produção em massa das principais startups do setor só deve começar entre 2026 e 2027. Também é aposta — ainda não fato consumado — a ideia de que a tecnologia extrapole os data centers e passe a beneficiar carregamento de veículos elétricos e, eventualmente, residências comuns.

Por que isso importa

Rothmund resume o argumento comercial da forma mais direta possível: sem transformadores de estado sólido prontos em breve, o próprio ritmo de expansão dos data centers de IA corre risco de desacelerar. Não é um upgrade incremental de equipamento elétrico — é, segundo os próprios players do setor, o gargalo que pode decidir a velocidade com que a infraestrutura de IA consegue crescer.

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