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Smart Cities19 de set. de 2026, 11:02

Trem-bala de Las Vegas depende de empréstimo federal de US$ 6 bilhões

A Brightline West, projeto de trem de alta velocidade entre Las Vegas e a região de Los Angeles, aposta tudo em financiamento federal enquanto operações irmãs da empresa atrasam pagamentos a investidores.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quem vai pagar a conta do trem-bala americano?

Se você mora em Las Vegas ou na região metropolitana de Los Angeles e esperava embarcar num trem de alta velocidade até o fim da década, a resposta segue nas mãos do governo federal dos EUA. O projeto Brightline West, que prometia ligar as duas regiões em cerca de duas horas a até 320 km/h, depende agora de um empréstimo de US$ 6 bilhões que o governo espera liberar até o fim de outubro.

A obra é tocada pela Brightline, empresa apoiada pela gestora de investimentos Fortress Investment Group e pioneira em trens de passageiros privados nos EUA. O prazo prometido para fechar o financiamento já passou: era 31 de março, não foi cumprido, e agora a empresa também precisa injetar US$ 400 milhões em capital próprio até 2 de novembro.

Foto: reprodução/coyotecountrylv.com

Custo dobrou em dois anos

Quem acompanha obras públicas no Brasil vai reconhecer o padrão: o orçamento inicial, de US$ 12 bilhões em 2024, já subiu para cerca de US$ 21 bilhões. O pacote de financiamento inclui US$ 3,5 bilhões em títulos de atividade privada isentos de impostos do Departamento de Transportes dos EUA e US$ 3 bilhões em subsídio aprovado ainda na administração Biden. O empréstimo de US$ 6 bilhões viria do programa federal Railroad Rehabilitation and Improvement Financing (RRIF), com juros baixos e prazo de pagamento de até 35 anos.

O alerta vem da operação irmã na Flórida

Foto: reprodução/thenevadaindependent.com

A cautela não é gratuita: a Brightline Florida, que já opera trens entre Miami e Orlando, vem atrasando repetidamente pagamentos obrigatórios de títulos e enfrenta risco de calote, mesmo tendo sido vendida ao público como um projeto 100% privado, sem dinheiro de contribuinte. Os títulos da operação da Flórida foram emitidos pela Florida Development Finance Corp — ou seja, ainda que "privado" no discurso, o mercado de dívida pública está exposto ao risco.

Para Alon Levy, pesquisador do NYU Marron Institute, "planos exclusivamente privados não são viáveis", e a expectativa é que a Brightline West passe a depender ainda mais de recursos federais. Enquanto isso, o governador de Nevada, Joe Lombardo, segue apostando na obra como vitrine de infraestrutura do estado.

E a Califórnia?

O contraste ajuda a entender o tamanho do desafio: a autoridade californiana de trem de alta velocidade estima precisar de US$ 126 bilhões para concluir a ligação entre São Francisco e Los Angeles, mas tem apenas US$ 39,3 bilhões garantidos até 2045 — uma lacuna de US$ 87 bilhões, com risco de ficar sem recursos já em dezembro de 2027. Para quem lida com atraso crônico de obras de mobilidade no Brasil, a pergunta é familiar: quem fiscaliza o uso desse dinheiro público e o que acontece se o empréstimo não vier?

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