
Trocas de operadora somam 3,8 milhões no 1º semestre, aponta ABR Telecom
São Paulo lidera com mais de 1 milhão de portabilidades no período, enquanto o total de trocas registradas no país fica abaixo do mesmo intervalo do ano anterior.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
3,8 milhões de trocas em seis meses
O Brasil registrou 3,8 milhões de portabilidades numéricas no primeiro semestre de 2026, segundo dados da ABR Telecom (Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações). Do total, cerca de 3 milhões foram trocas na telefonia móvel e 868 mil na telefonia fixa — o serviço que permite ao consumidor mudar de operadora sem perder o número.
O volume mantém o setor em patamar elevado, mas não repete o ritmo de outros ciclos: em levantamento recente para um período semestral, a própria ABR Telecom já havia contabilizado 4,16 milhões de trocas, o que reforça a leitura de estabilidade — nem disparada, nem colapso — na disputa por assinantes.
Onde a portabilidade mais acontece
São Paulo concentra o maior volume de trocas do país, com 1.089.713 portabilidades no semestre — praticamente um em cada quatro pedidos registrados nacionalmente. Rio de Janeiro aparece em seguida, com 404.719 trocas, e Minas Gerais completa o pódio com 364.895. A concentração nos três estados mais populosos do país segue o padrão histórico do serviço, puxado tanto pelo tamanho da base de assinantes quanto pela intensidade da concorrência comercial entre operadoras nesses mercados.
Um direito que já soma 109 milhões de números portados
A portabilidade numérica existe no Brasil desde 2008 e é operada pela ABR Telecom por delegação da Anatel. Em quase duas décadas de vigência, o serviço já somou 109 milhões de números portados — um indicador do quanto a ferramenta se tornou estrutural na relação entre consumidor e operadora, ao remover a barreira que antes prendia o cliente a uma prestadora por causa do próprio número de telefone.
O processo também ficou mais rápido ao longo do tempo: hoje o prazo é de até três dias úteis para a conclusão da troca, com confirmação por SMS exigida desde 2023 como camada extra de segurança contra fraudes.
O que os números não mostram
Os dados divulgados pela ABR Telecom não discriminam o resultado líquido por operadora — ou seja, não é possível saber, a partir deste levantamento, quem efetivamente ganhou e quem perdeu assinantes no período. O recorte disponível mostra volume e distribuição geográfica das trocas, mas fica em aberto o placar entre as prestadoras que disputam o mercado de telefonia móvel e fixa no país. Para o consumidor, o dado prático é outro: a portabilidade segue como ferramenta de pressão competitiva, ainda que em ritmo mais moderado do que em semestres de maior turbulência no setor.