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Smart Cities05 de out. de 2026, 09:39

Trocou de carro elétrico? O wallbox pode custar caro de novo

Ao trocar de carro elétrico ou mudar de endereço, o motorista descobre um gasto que não aparece na negociação: retirar, transportar e reinstalar o wallbox pode custar entre R$ 1.500 e R$ 4.000.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O carro troca, mas o carregador fica

Quem comprou um carro elétrico e investiu na instalação de um wallbox em casa pode levar um susto na próxima troca de veículo: o equipamento que carrega a bateria nem sempre acompanha o dono para o novo carro — ou para a nova casa — sem gerar uma conta extra. É o que mostra reportagem do Canaltech, que ouviu Thiago Castilha, sócio-diretor da E-wolf Carregadores, empresa de instalação de carregadores parceira de montadoras como a BYD, sobre esse custo que passa longe da vitrine das concessionárias.

Na prática, se o motorista muda de endereço, não basta desplugar o wallbox e levar debaixo do braço. "O custo escondido na troca de carro, quando você tem essa devolução de wallbox, é realmente ter um custo de um técnico para colocar o novo. Não é só trocar o carregador", explica Castilha. A nova instalação pode exigir cabeamento, disjuntores e revisão completa do projeto elétrico — e, em carregadores mais potentes, a casa pode precisar subir a tensão para 380V, com transformador que custa quase tanto quanto a instalação original.

Foto: reprodução/canaltech.com.br

Quanto fica no bolso do consumidor

Segundo a reportagem, instalar um wallbox residencial custa hoje entre R$ 1.500 e R$ 4.000, variando com a distância entre o quadro elétrico e a vaga de garagem. Já o equipamento em si, segundo outro levantamento do Canaltech, sai entre R$ 3.500 e R$ 8.000 dependendo do fabricante, com serviço de instalação em torno de R$ 2.900.

E se o carro novo for de outra marca? A boa notícia é que o Brasil adota o conector Tipo 2 (IEC 62196-2) como padrão de recarga em corrente alternada, o que garante compatibilidade física entre fabricantes. Mas um wallbox de 7 kW continua funcionando com um carro que aceita 11 kW ou 22 kW — só que mais lento, tornando-se um gargalo que desperdiça a capacidade da bateria.

Quem fiscaliza essa instalação?

A reportagem reforça um ponto que todo consumidor deveria perguntar antes de contratar qualquer serviço: a instalação precisa seguir a norma ABNT 1719 e ser feita por empresa homologada, não por um eletricista qualquer. Castilha resume o risco: "não pode enxergar segurança como prejuízo, como custo. Ela é um investimento". Antes de vender o carro e deixar o wallbox de brinde — ou pagar para reinstalar na mudança — vale fazer a conta: às vezes o desconto oferecido pelo comprador do carro compensa mais do que arrancar o equipamento da parede.

Com a frota elétrica crescendo nas grandes cidades brasileiras, esse tipo de custo "invisível" tende a pesar cada vez mais no planejamento de quem decide eletrificar a garagem — e caberia a órgãos de defesa do consumidor e às próprias montadoras tornarem essa informação mais clara no momento da compra.

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