tech & talk
IA23 de set. de 2026, 20:56

Trump anuncia que EUA vão chamar IA de "superinteligência"

Em discurso na ONU, presidente dos EUA disse que documentos oficiais vão trocar "inteligência artificial" por "superinteligência", dias depois de promover uma enquete informal nas redes sociais sobre o novo nome.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

Compartilhar

Uma palavra, uma enquete e um discurso na ONU

Imagine se, do dia para a noite, o governo decidisse que "carro" agora se chama "veículo supremo" só porque soa mais chique. Foi mais ou menos isso que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 22 de setembro de 2026, durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU: a partir daquele momento, todos os documentos oficiais do governo americano vão substituir o termo "inteligência artificial" por "superinteligência" — em inglês, "super intelligence".

A justificativa de Trump foi direta: segundo ele, a palavra "artificial" faz a inteligência "soar falsa". Em bom português, a ideia é que "artificial" carrega uma conotação de imitação barata, enquanto "super" venderia a tecnologia como algo grandioso. Trump foi além e disse esperar que não só os EUA, mas "o mundo" também adote o novo nome.

A enquete que não bateu com o anúncio

O detalhe curioso é que a escolha não surgiu do nada. Dias antes, em 19 de setembro, a Casa Branca e o próprio Trump promoveram uma espécie de votação informal no X e no Truth Social, oferecendo três opções: "superior intelligence", "extreme intelligence" e "supreme intelligence". Mais de 27 mil pessoas votaram nas primeiras horas, com "superior intelligence" liderando. Trump chegou a retirar "supreme intelligence" da lista, especulando que a opção perdia força por lembrar demais a Suprema Corte ("Supreme Court", em inglês).

Acontece que nenhuma dessas três opções era "super intelligence" — o termo efetivamente escolhido no discurso da ONU. É como fazer uma enquete entre pizza, hambúrguer e sushi, e no fim anunciar que o jantar será churrasco.

Os dois lados da mesa

De um lado, há quem veja mérito no argumento linguístico de Trump: nomes moldam percepção, e "inteligência artificial" de fato carrega décadas de bagagem cultural, entre filmes de robôs malignos e desconfiança do público.

Do outro lado, especialistas em tecnologia notam um problema técnico sério: "superinteligência" já é um termo consagrado na pesquisa de IA, usado para descrever sistemas hipotéticos que superariam a capacidade intelectual humana em praticamente todas as áreas — um patamar que a IA atual está longe de alcançar. Usar o termo para descrever chatbots e ferramentas de hoje, portanto, soa a muitos como confusão proposital ou puro marketing político, não uma correção terminológica.

Por ora, a mudança tem caráter simbólico: vale para documentos do governo americano, sem força legal sobre empresas, universidades ou a imprensa — que devem seguir chamando a tecnologia pelo nome que já conhecem.

inteligência artificialdonald trumponusuperinteligênciapolítica tecnológica
Compartilhar