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IAMercado05 de out. de 2026, 09:34

Trump chama IA de "super inteligência" e pacto sem força de lei resolve pouco

Seis gigantes da tecnologia assinaram um compromisso voluntário de segurança em IA na Casa Branca, enquanto o governo Trump troca o termo "inteligência artificial" por "super inteligência" em documentos oficiais. Especialistas questionam se isso é mudança de substância ou só de rótulo.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Trocar o nome resolve o problema?

Imagine que uma empresa, incomodada com a fama de que seu produto é perigoso, decide simplesmente mudar o nome dele. Foi mais ou menos isso que o governo dos Estados Unidos fez em 29 de setembro: uma ordem executiva determinou que agências federais parem de usar os termos "inteligência artificial" e "IA" em documentos oficiais e passem a falar em "super inteligência" (SI, na sigla em inglês). O texto, batizado de "Inaugurating the Era of Super Intelligence", também pede que órgãos do governo apresentem, em até 60 dias, definições legais para o novo termo.

No mesmo dia, na Casa Branca, outro movimento chamou atenção: seis executivos de peso no setor assinaram um compromisso voluntário de segurança batizado de "Joint Commitment on Frontier Responsibilities". Assinaram o documento Sundar Pichai (Google), Elon Musk (Tesla e SpaceX), Dario Amodei (Anthropic, criadora do chatbot Claude), Mark Zuckerberg (Meta), Greg Brockman (presidente da OpenAI) e Jensen Huang (Nvidia, fabricante de chips usados para treinar modelos de IA).

Foto: reprodução/cnbc.com

O que o pacto promete, na prática

Pensando em termos simples, o acordo é como um contrato de boa vizinhança: todo mundo promete se comportar, mas não há guarda nem multa se alguém quebrar a promessa. O documento prevê quatro camadas de controle: as empresas devem manter mecanismos internos de monitoramento contra riscos de cibersegurança, biossegurança e ameaças químicas; criar equipes internas para supervisionar esses controles; contratar auditores externos independentes; e montar comitês de revisão em nível de conselho administrativo.

O problema, segundo críticos, está no verbo "prometer". Questionado se o documento tinha força legal, Trump respondeu que ele é "moralmente vinculante" — uma expressão que resume bem a fragilidade do compromisso: não há penalidade prevista para quem descumprir, não há obrigação de divulgar publicamente os resultados das auditorias e o governo não tem papel de fiscalização. É a diferença entre assinar um contrato com cláusulas de multa e fazer um aperto de mão.

Dois lados da mesma moeda

De um lado, defensores do acordo argumentam que é melhor ter esse primeiro passo — com auditoria externa e supervisão de conselho — do que nenhuma estrutura de governança. De outro, analistas do setor de tecnologia apontam que o pacto é, na essência, um exercício de reposicionamento de marca: trocar "inteligência artificial", termo carregado de ansiedade sobre desemprego e riscos, por "super inteligência", que soa mais a conquista do que a ameaça.

A guinada semântica ocorre também em um momento político específico: pesquisas mostram queda de popularidade do presidente americano justamente em temas ligados à economia e ao emprego, área em que a IA é frequentemente apontada como fator de insegurança. Ainda não há evidência de que renomear a tecnologia mude a percepção pública sobre seus riscos reais — cibersegurança, uso indevido de armas biológicas ou simples substituição de postos de trabalho continuam sendo discussões em aberto, com ou sem troca de etiqueta.

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