
Trump cria academia espacial para preparar militares e engenheiros para a Lua
Trump assinou ordem executiva para criar a U.S. Space Academy, comparada a West Point, Annapolis e à Academia da Força Aérea, para formar uma nova geração de militares, engenheiros e operadores civis para as missões lunares e além.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: pense nas academias militares mais tradicionais dos Estados Unidos — West Point, Annapolis, a Academia da Força Aérea em Colorado Springs. Agora imagine uma quarta instituição do mesmo porte, mas com o olhar fixo na Lua e além dela. Foi isso que Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (28).
O que é confirmado
Trump assinou uma ordem executiva para criar a U.S. Space Academy, uma nova instituição de formação voltada a preparar militares, engenheiros e operadores civis para as missões espaciais dos Estados Unidos. O anúncio aconteceu durante uma visita ao Johnson Space Center, da Nasa, em Houston, no mesmo evento em que a tripulação da missão Artemis 2 recebeu condecorações.
Segundo a Casa Branca, a academia vai ajudar a preparar a próxima geração de "astronautas, cientistas, engenheiros, operadores, empreendedores, servidores civis e militares" para a expansão do que chamou de empreendimento espacial americano. Na cerimônia, Trump justificou a criação da nova academia citando "o rápido crescimento da Força Espacial e da indústria espacial comercial e a expansão de nossas ambições para a Lua e muito além da Lua", afirmando que era preciso "educar e treinar toda uma geração de militares qualificados, engenheiros, operadores civis e tudo mais" para dar conta dessa expansão.
A nova academia foi diretamente comparada por Trump a West Point, à Academia Naval de Annapolis e à Academia da Força Aérea — as três principais escolas de formação de oficiais das Forças Armadas dos EUA.
O que ainda não está definido
Apesar do anúncio, vários detalhes práticos seguem em aberto. A localização da nova academia ainda não foi escolhida — Trump indicou que a decisão será anunciada "em breve", com diferentes regiões disputando sediar o projeto. A ordem executiva cria uma comissão, que tem 120 dias para apresentar recomendações sobre como estruturar a instituição. Qualquer plano final ainda vai precisar de aprovação presidencial, possivelmente ação do Congresso e verba federal disponível antes de sair do papel — ou seja, o anúncio formaliza a intenção, mas a academia em si ainda não existe na prática.
Por que isso importa agora
O momento do anúncio não é acaso: ele ocorre junto da homenagem à tripulação da Artemis 2, missão que marca o retorno de astronautas americanos às proximidades da Lua depois de décadas, e num momento de crescimento acelerado tanto da Força Espacial quanto da indústria espacial privada dos EUA. A ideia declarada é ter, daqui a alguns anos, um pipeline de profissionais formados especificamente para sustentar esse ritmo de expansão rumo à Lua e a destinos mais distantes.
Atualização (29/08, 00:41): Atualização (29/08/2026): Detalhes divulgados após o anúncio mostram quem vai desenhar a nova academia: uma comissão liderada pelo administrador da Nasa, Jared Isaacman, com participação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, do secretário da Força Aérea, Troy Meink, e do diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, Russ Vought. Trump comparou a instituição a West Point, Annapolis e à Academia da Força Aérea, dizendo que ela vai "atrair, treinar e formar o melhor da nação" para atender à Força Espacial, à Nasa e à indústria comercial de voos espaciais. A localização da futura academia ainda não foi definida.