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MercadoIA29 de out. de 2026, 15:41

Trump empresta US$ 5 bi à Constellation pra turbinar usinas de data centers de IA

O Departamento de Energia dos EUA financia a modernização de 11 reatores da Constellation Energy. A energia extra já está quase toda comprometida com Google, Amazon e Meta.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 5 bilhões para tirar mais energia de usinas já existentes

O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE), sob o governo Trump, firmou um compromisso condicional de empréstimo de até US$ 5 bilhões para a Constellation Energy — uma das maiores operadoras de usinas nucleares dos EUA — modernizar 11 reatores em oito usinas, numa operação conhecida no setor como "uprate": aumentar a potência de reatores já em funcionamento, em vez de construir novos do zero. A promessa é adicionar 1,1 gigawatt de capacidade.

As usinas afetadas ficam em Illinois (Braidwood, Byron, Clinton, Dresden, La Salle e Quad Cities), em Maryland (Calvert Cliffs) e na Pensilvânia (Limerick). O empréstimo é condicional — a Constellation ainda precisa cumprir uma série de exigências financeiras, ambientais e técnicas antes de fechar o contrato definitivo com o DOE.

Quem vai consumir essa energia

O detalhe que explica a urgência do financiamento é o destino da energia: praticamente toda a capacidade adicional já está comprometida com três gigantes de tecnologia. A Meta efetivamente comprou a produção inteira da usina de Clinton, em Illinois. O Google garantiu capacidade extra em quatro usinas de Illinois e na usina da Pensilvânia. A Amazon compra eletricidade da usina de Calvert Cliffs, em Maryland.

Na prática, o dinheiro público ajuda a baratear o custo de capital de uma expansão que vai, na ponta final, abastecer data centers de treinamento e inferência de IA dessas empresas — um exemplo direto de como a corrida por infraestrutura de IA está realocando capacidade energética que antes servia à rede elétrica geral.

Capital caro, prazo curto

A Constellation já havia anunciado mais de US$ 7 bilhões em investimentos próprios para adicionar 1.080 megawatts a essas mesmas usinas visando atender Google, Amazon e Meta. O empréstimo do DOE não substitui esse investimento — ele reduz o custo de financiamento, segundo a própria empresa, o que melhora a margem do projeto num momento em que taxas de juros ainda pesam sobre investimentos de capital intensivo e longo prazo como usinas nucleares.

Quem ganha, quem perde

A Constellation ganha capital mais barato garantido pelo governo para monetizar ativos que já tinha, sem o risco regulatório e de prazo de construir usinas novas. As três big techs ganham energia limpa e previsível — cada vez mais escassa — para sustentar a expansão de data centers de IA sem depender só do mercado de gás e carvão. Quem paga a conta, por ora, é o contribuinte americano, que assume o risco de crédito de um empréstimo federal cujo benefício final recai sobre empresas privadas bilionárias e sua demanda insaciável por energia para IA.

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