
Trump impõe tarifa de 100% sobre drones e mira robôs e roteadores estrangeiros
Governo Trump decretou tarifa de 100% sobre drones maiores ou com recursos sensíveis à segurança nacional, ampliando uma onda de restrições que já havia atingido roteadores, robôs e aspiradores robóticos importados.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
100% é o número que trava a importação de drones nos EUA
Cem por cento. Essa é a tarifa que o governo Trump passou a cobrar sobre drones importados que pesem mais de 25 quilos na decolagem ou tragam recursos considerados sensíveis à segurança nacional, como câmeras térmicas e estações de doca automatizadas. A proclamação foi assinada com base na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio — o mesmo instrumento usado em rodadas anteriores de tarifas sobre aço e alumínio — depois de uma investigação do Departamento de Comércio concluir que os Estados Unidos estão "excessivamente dependentes" de fontes estrangeiras de drones e seus componentes.
Uma escada de alíquotas, com a China no topo
A nova estrutura tarifária funciona em camadas. Drones menores, sem os recursos classificados como sensíveis, ficam com alíquota de 25%. Já os parceiros comerciais tradicionais dos EUA levam tratamento mais brando: União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça, Taiwan e Liechtenstein pagam 15%, enquanto o Reino Unido fica com 10%. Parte das tarifas entra em vigor 21 dias após a assinatura, com prazo estendido para componentes considerados menos sensíveis. Na prática, é a China — sem acordo tarifário reduzido — quem recebe o peso máximo da medida.
Quem perde: DJI e a cadeia chinesa
A fabricante chinesa DJI, que responde por algo entre 70% e 80% do mercado civil e comercial de drones nos Estados Unidos, é o alvo mais evidente. A empresa já estava na Covered List da FCC, lista que bloqueia novas homologações de equipamentos por risco à segurança nacional, e agora enfrenta também a barreira tarifária. O golpe duplo — proibição regulatória mais tarifa de 100% — deixa pouco espaço de manobra para a chinesa continuar disputando o mercado americano nos segmentos mais visados.
Quem ganha: a indústria americana, com ressalvas
Do outro lado, fabricantes americanas como a Skydio saem na frente. A empresa já havia anunciado investimento de US$ 3,5 bilhões para expandir a produção doméstica de drones, criar mais de 2 mil empregos diretos e montar uma cadeia de fornecimento de componentes em solo americano. O problema é que a dependência chinesa não se resume aos drones prontos: a China concentra fatias dominantes do processamento de terras-raras, da fabricação de baterias para drones e dos ímãs permanentes usados em motores — insumos que a indústria americana ainda não consegue substituir em escala.
Parte de uma onda maior de restrições
A tarifa sobre drones não nasce isolada. Nos últimos meses, a FCC ampliou sua Covered List para incluir roteadores, robôs avançados — incluindo modelos humanoides e quadrúpedes — e aspiradores robóticos de fabricação estrangeira, alegando riscos de cibersegurança e coleta indevida de dados por equipamentos conectados. A tarifa de 100% sobre drones se encaixa nesse movimento mais amplo do governo Trump de erguer barreiras contra hardware conectado de origem chinesa, sob a bandeira da segurança nacional.