
Trump liga ao vivo pra Nvidia e chama alerta sobre IA de 'hoax'
Durante o All-In Summit, o presidente dos EUA telefonou para o CEO da Nvidia e classificou como farsa as preocupações com o avanço descontrolado da inteligência artificial.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
Uma ligação, duas plateias
Pense numa aula em que o professor recebe uma ligação e decide atender no viva-voz, na frente da turma inteira. Foi mais ou menos isso que aconteceu nesta segunda-feira (14) no All-In Summit, evento de tecnologia e investimentos que reúne nomes de peso do Vale do Silício em Los Angeles. Donald Trump telefonou para Jensen Huang, CEO da Nvidia, que estava no palco — e Huang colocou a ligação no viva-voz para a plateia ouvir.
O que Trump disse, em bom português
Trump foi direto: "os robôs não vão dominar o mundo" e "a IA não vai tomar conta do resto do mundo" — chamando de "farsa" ("hoax") o receio de que a inteligência artificial avance sem controle. Ele também comparou os data centers ao "petróleo dos próximos 20, 25 anos" e disse que eles deixam estados e pessoas mais ricos. Huang respondeu no mesmo tom: "Você está certo, não vamos deixar isso acontecer, senhor."
Os dois lados da mesma frase
Aqui vale separar o que é fato do que é opinião política. É fato que data centers de IA consomem cada vez mais energia e geram polêmica em comunidades onde são construídos — isso não é hoax, é custo mensurável de eletricidade e água. O que Trump classificou como farsa foi outra coisa: o temor, defendido por parte da comunidade científica e por ex-executivos de empresas de IA, de que sistemas cada vez mais autônomos possam operar fora do controle humano. Reduzir as duas preocupações à mesma frase mistura um debate técnico real com uma crítica de teor mais político — a oposição a novos data centers nos EUA.
O que falta responder
A ligação reforça uma aliança pública entre a Casa Branca e a indústria de chips: em maio, Trump levou Huang à China numa tentativa de reabrir vendas de semicondutores da Nvidia por lá. O que o episódio não resolve é a pergunta de fundo: até que ponto o discurso de "não é motivo de alarme" reflete avaliação técnica, e até que ponto reflete o interesse político e comercial de manter o boom de data centers em expansão.
Atualização (15/09, 01:12): Enquanto atendia a ligação surpresa de Trump no palco do All-In Summit, em Los Angeles, Jensen Huang usou um aparelho chamativo: o iPhone dobrável da Apple, ainda não lançado oficialmente e com estreia prevista para cerca de cinco semanas depois do evento. O modelo, batizado informalmente de iPhone Duo/Fold, deve custar por volta de US$ 1.999.
Segundo a TechCrunch, o gesto de atender a chamada presidencial com um iPhone inédito nas mãos não passou despercebido: a cena reforça como a Apple hoje depende de chips da Nvidia para rodar partes do Apple Intelligence, uma inversão notável após anos de distanciamento entre as duas empresas. Para a publicação, foi "uma jogada e tanto" de Huang — que, além de participar do momento político com Trump, aproveitou os holofotes para expor discretamente hardware exclusivo da Apple antes do lançamento oficial.
Atualização (15/09, 01:12): Além de classificar como "hoax" os alertas sobre riscos da inteligência artificial, Trump foi direto ao ponto durante a ligação ao vivo para o palco do All-In Summit: "Os robôs não vão dominar. A IA não vai dominar o resto do mundo." O presidente americano completou dizendo que os data centers de IA são positivos para a economia porque "deixam as pessoas ricas" e "deixam os estados ricos".
Na mesma conversa, Trump defendeu que os Estados Unidos precisam manter certo cuidado, mas não podem desacelerar o desenvolvimento da tecnologia, argumentando que uma pausa no avanço da IA beneficiaria a China. Jensen Huang endossou a posição do presidente, afirmando que "os Estados Unidos são capazes de liderar — e fazer isso com segurança".