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IA30 de set. de 2026, 01:32

Trump manda governo dos EUA chamar IA de "Super Inteligência"

Ordem executiva assinada em 29 de setembro determina que agências federais americanas troquem "inteligência artificial" por "Super Intelligence" em documentos e comunicados oficiais. Crítica alega marketing; Casa Branca defende que o termo antigo ficou pequeno.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Uma canetada para trocar o nome da tecnologia

Imagine que a padaria da esquina, do dia para a noite, decidisse rebatizar o pão francês de "pão supremo" só porque acha que o nome antigo não faz jus ao produto. É mais ou menos esse o espírito da ordem executiva que o presidente Donald Trump assinou em 29 de setembro de 2026: a partir de agora, o governo dos Estados Unidos deve chamar oficialmente a inteligência artificial de "Super Intelligence" (ou "SI", em vez do já consagrado "AI").

O documento, batizado de "Inaugurating the Era of Super Intelligence" e divulgado pela Casa Branca, obriga todos os departamentos e agências do Executivo a usar os termos "Super Intelligence" e "SI" em correspondências oficiais, comunicações públicas e documentos de política — e a parar de usar "Artificial Intelligence" ou "AI" nesses materiais. A ordem também designa o Assistente do Presidente para Ciência e Tecnologia (APST, uma espécie de conselheiro-chefe da Casa Branca para pautas científicas) para propor, nos próximos meses, uma definição federal oficial do que seria essa "Super Inteligência".

Por que trocar uma palavra por outra?

A justificativa oficial é que o adjetivo "artificial" ficou pequeno. Segundo o texto da Casa Branca, os sistemas de hoje já não se limitam a "imitar ou automatizar" tarefas humanas: eles ampliam a criatividade e resolvem problemas antes impossíveis em áreas como medicina e ciência — por isso mereceriam um nome à altura. É como quem troca o nome de um cargo de "auxiliar" para "especialista sênior" sem mudar a função: a ideia é vender uma imagem mais poderosa da mesma tecnologia.

A ordem foi assinada dias depois de um almoço na Casa Branca reunindo nomes como Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Sundar Pichai, Jensen Huang e Dario Amodei, ocasião em que Trump anunciou um acordo setorial que chamou de "moralmente vinculante" para promover a autorregulação da indústria de IA.

O outro lado: propaganda ou distração?

Para críticos, batizar de outra forma o que continua sendo o mesmo software é cortina de fumaça. A Bloomberg descreveu a medida como uma resposta a pesquisas de opinião que mostram os americanos cada vez mais desconfiados da IA — trocar o rótulo não muda os riscos reais de viés, desemprego ou concentração de poder discutidos por especialistas. Há também quem veja no novo termo uma tentativa de esvaziar projetos de lei no Congresso, como uma proposta do senador Bernie Sanders para restringir o desenvolvimento de "superinteligência artificial".

Já aliados de Trump, como o estrategista Steve Bannon, defendem que o nome novo apenas reconhece o que "todo especialista da área já diz": que a humanidade caminha rápido demais para sistemas de inteligência geral avançada sem estar preparada — e que os EUA não podem se dar ao luxo de desacelerar frente à China.

No fim das contas, a lei que regula o setor continua a mesma; o que muda, por ora, é a etiqueta.

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