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IA05 de out. de 2026, 09:43

Trump troca 'IA' por 'superinteligência' e Big Tech assina pacto de autorregulação

A Casa Branca anunciou um pacto voluntário de segurança em IA assinado por CEOs como Zuckerberg, Musk e Dario Amodei, da Anthropic, no mesmo dia em que Trump decretou a troca oficial do termo 'inteligência artificial' por 'superinteligência' no governo americano.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um decreto pra trocar o nome da coisa

Em 29 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva determinando que agências do governo federal americano substituam, em documentos oficiais, o termo "inteligência artificial" por "superinteligência" (ou "SI", na sigla em inglês). Parece papo de marqueteiro, mas é decreto de verdade: vale pra correspondência oficial, comunicados públicos, sites e relatórios de política do Executivo americano. O argumento da Casa Branca é que "superinteligência" descreveria melhor o que os sistemas atuais já fazem, e não apenas "imitar" a inteligência humana. É como se, do dia pra noite, o governo decidisse chamar o carro de "máquina voadora" só porque agora ele tem piloto automático: muda o nome, mas a estrada continua a mesma.

O pacto que não é lei

No mesmo evento, seis executivos da cúpula da tecnologia assinaram um acordo voluntário de segurança: Sundar Pichai (Google), Mark Zuckerberg (Meta), Elon Musk (xAI, empresa de inteligência artificial dele, dona do chatbot Grok), Jensen Huang (Nvidia, fabricante dos chips que turbinam os modelos de IA), Greg Brockman (presidente da OpenAI) e Dario Amodei (Anthropic, empresa de IA rival da OpenAI, criadora do chatbot Claude). Jeff Bezos também esteve na sala. Trump chamou o documento de "moralmente vinculante" e chegou a compará-lo a uma "constituição".

Em bom português: é um compromisso de cavalheiros. Não tem força de lei, não impõe multa e não cria órgão fiscalizador. O texto prevê quatro camadas de controle — monitoramento interno dos modelos, um time interno de revisão, auditoria externa e um comitê do conselho de cada empresa pra acompanhar os relatórios. O detalhe incômodo é que as próprias empresas escolhem os auditores e decidem se publicam os resultados.

Dois lados da mesma moeda

Para o governo americano, o gesto sinaliza que a indústria está disposta a se policiar sem esperar regulação. Para os críticos — e vale lembrar que uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que 73% dos americanos acham que as empresas não fazem o suficiente para evitar riscos graves da tecnologia —, é a raposa cuidando do galinheiro. Especialistas em governança de IA já apontam que nada impede uma empresa de abandonar o compromisso quando ele colidir com interesse comercial.

Trocar o nome não muda o que a tecnologia é capaz de fazer, nem resolve quem fiscaliza o quê. Fica a pergunta de sempre no debate de ética em IA: segurança combinada entre as próprias partes interessadas é segurança de verdade, ou só um acordo de cavalheiros com nome pomposo?

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