
TSE vai usar internet via satélite da Starlink para transmitir resultado das eleições
Tribunal contratou a Hughes Telecomunicações do Brasil para levar boletins de urna de até 1.113 pontos remotos, em 13 estados, usando antenas Starlink Mini após o fim da votação.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Pra quem vota longe do sinal
Se você mora em cidade grande, provavelmente nunca vai notar essa mudança. Mas em comunidades ribeirinhas do Amazonas, aldeias indígenas e municípios isolados de outros 12 estados, a diferença é entre o boletim de urna chegar rápido ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou demorar muito mais tempo por falta de conexão.
O que muda na prática
O TSE contratou a Hughes Telecomunicações do Brasil, vencedora de uma licitação aberta em março, para fornecer terminais de internet via satélite usando a infraestrutura da Starlink, empresa de internet por satélite do bilionário Elon Musk, dono também da SpaceX. Serão até 1.113 terminais distribuídos por 13 estados, com Amazonas e Pará concentrando 350 unidades cada — os dois estados com maior número de localidades sem infraestrutura de telecomunicação convencional.
A tecnologia entra em ação só depois que a votação termina: equipes vão usar antenas Starlink Mini conectadas a notebooks para enviar os arquivos gerados pelas urnas eletrônicas ao sistema de totalização do TSE. Segundo o tribunal, a transmissão dos dados eleitorais continua sendo feita pelo aplicativo próprio da Justiça Eleitoral, dentro de uma rede virtual privada (VPN) institucional — ou seja, a Starlink funciona como via de conexão à internet, não como canal de transmissão dos votos em si.
Quanto custou e quem fiscalizou
O contrato passou pelo crivo do Tribunal de Contas da União (TCU), que validou a contratação em 19 de agosto. A análise foi motivada por uma representação da empresa Otimizar Tech, uma das concorrentes derrotadas na licitação, que alegou possível direcionamento da disputa a um único fornecedor. O TCU concluiu que o contrato prevê mecanismos de responsabilização da contratada e de monitoramento da continuidade do serviço — mas as fontes consultadas não trazem o valor total pago pelo TSE nem o detalhamento completo do edital.
O que fica em aberto
Restam perguntas que interessam ao eleitor: quanto o contrato custou aos cofres públicos, se há um plano de contingência caso a conexão falhe justamente na noite da apuração, e como o TSE vai auditar publicamente o desempenho da Hughes nesses locais remotos ao longo do período eleitoral. Até a apuração desta matéria, essas informações não haviam sido detalhadas publicamente.