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Ciência11 de ago. de 2026, 11:13

Tubarão que brilha no escuro pode usar a luz como holofote para caçar

Estudo com o tubarão-kitefin, o maior vertebrado bioluminescente conhecido, sugere que o brilho lateral do focinho e das nadadeiras pode servir para iluminar o fundo do mar em busca de presas, não só para camuflagem.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

A quase 500 metros de profundidade, na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia, não chega luz solar nenhuma. É nesse breu que vive o tubarão-kitefin (Dalatias licha), o maior vertebrado bioluminescente já registrado — e que, segundo um novo estudo, pode usar o próprio brilho como uma espécie de holofote biológico para encontrar comida.

O que já se sabia

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

A bioluminescência de peixes de profundidade costuma ser explicada pela chamada contra-iluminação: o animal emite luz na barriga para apagar sua silhueta contra a claridade fraca que ainda desce das camadas superiores da água, dificultando que predadores o vejam de baixo. Essa era a hipótese dominante também para o tubarão-kitefin.

O que o novo estudo encontrou

Uma equipe liderada pelo biólogo marinho Julien Claes, da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, analisou oito exemplares capturados na região e publicou os resultados em 7 de agosto na revista iScience. A luz emitida pelo corpo do animal é azul-esverdeada, com pico em 491 nanômetros — comprimento de onda compatível com a profundidade de 480 a 540 metros onde a espécie vive.

Foto: reprodução/sciencealert.com

O dado novo está na distribuição da luz: ela se espalha mais lateralmente do que em outros animais com contra-iluminação já estudados, com maior intensidade perto do focinho, da mandíbula e das nadadeiras peitorais. Para os pesquisadores, esse excesso de emissão lateral funciona como um holofote biológico, iluminando o fundo do mar ao redor do tubarão e, potencialmente, facilitando a detecção de presas num ambiente bentônico praticamente sem luz.

O estudo também confirma algo inédito: o tubarão-kitefin é o primeiro tubarão descrito com nadadeira dorsal totalmente luminosa — embora ela brilhe cerca de dez vezes menos intensamente que a região ventral do corpo.

O que ainda é hipótese

A função exata da nadadeira dorsal segue sem confirmação direta. Os pesquisadores propõem duas possibilidades — comunicação entre indivíduos da espécie ou atração de presas —, mas nenhuma delas foi observada em comportamento real até agora. Ou seja: o papel de holofote para caça tem respaldo nos dados de emissão de luz, mas ainda depende de observação do animal caçando no ambiente natural para ser confirmado.

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