
Parabólica vai herdar recursos da TV 3.0 no Brasil
Fabricantes de receptores, emissoras e operadores de satélite mostram na SET Expo o TVRO 2.5, novo padrão que leva interatividade, 4K e publicidade dinâmica para os cerca de 17 milhões de domicílios que ainda dependem da antena parabólica.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
17 milhões de receptores que não podem ficar de fora
Enquanto o debate sobre a TV 3.0 no Brasil gira em torno de conversores e televisores smart, existe um universo paralelo que corre risco de ficar para trás: os cerca de 17 milhões de receptores de parabólica espalhados pelo país, responsáveis por levar 180 canais de TV e 32 emissoras de rádio a regiões onde a antena ainda é a porta de entrada para a TV aberta. É para não deixar esse parque tecnológico obsoleto que fabricantes, emissoras e operadores de satélite uniram forças em torno de um novo padrão batizado de TVRO 2.5, apresentado esta semana durante a SET Expo, em São Paulo.
O que muda na prática
Foto: reprodução/convergenciadigital.com.br
Diferente da TV 3.0 tradicional, pensada para quem capta sinal terrestre, o TVRO 2.5 combina a recepção via satélite com conexão à internet no próprio receptor. Na prática, isso significa trazer para a parabólica boa parte do pacote de interatividade reservado até aqui às cidades com boa cobertura de sinal aberto: pesquisas, votações e informações atualizadas na tela, previsão do tempo, indicadores financeiros, escalações e estatísticas em jogos ao vivo, além de transmissão em 4K nos conteúdos compatíveis.
Quem está por trás e quem ganha com isso
A articulação reúne fabricantes de receptores como Century, Bedin Sat e Vivensis, além de emissoras e operadoras de satélite. Para os fabricantes, é a chance de renovar um parque de aparelhos que ficaria obsoleto diante da migração tecnológica; para as emissoras, é garantir alcance publicitário em um público maior do que se costuma admitir. É aqui que mora o principal atrativo comercial: o TVRO 2.5 chega com recursos de DAI (Dynamic Ad Insertion), inserção dinâmica de anúncios, além de banners e formatos publicitários que permitem medir audiência e coletar dados comportamentais — algo que a parabólica tradicional não oferecia.
O que ainda falta resolver
A tecnologia segue em fase de desenvolvimento e demonstração, sem data de oferta comercial ampla nem preço definido para o consumidor final. Entre os desafios técnicos apontados por especialistas do setor durante o próprio SET Expo estão a criação de um canal de retorno eficiente via satélite e receptores com maior capacidade de memória para suportar aplicações interativas. O anúncio desta semana marca menos um lançamento do que uma prova de conceito: o mercado sinaliza que a parabólica não ficará para trás na corrida da TV 3.0, mas o cronograma de chegada às casas dos brasileiros ainda depende de testes e decisões regulatórias.