
TVs podem ficar mais caras na Black Friday após alta em painéis
Fabricantes chinesas de painéis LCD subiram preços às vésperas da Black Friday, o que pode reduzir os descontos em TVs grandes de marcas como Samsung, LG e Sony. O impacto deve pesar mais sobre os modelos de entrada, onde a margem já é apertada.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
72,4% do mercado nas mãos de três empresas chinesas
É essa a fatia dos painéis LCD para TV que fabricantes chinesas controlaram no primeiro semestre de 2026, segundo dados de mercado citados pelo TechRadar. Com esse poder de barganha, TCL CSOT e HKC, duas das maiores produtoras de painéis do mundo, já elevaram preços em setembro, e a BOE, gigante chinesa de displays, prepara novos reajustes para o quarto trimestre — bem no período em que a indústria fecha os últimos pedidos para abastecer as prateleiras da Black Friday.
Por que isso mexe no preço da TV
Foto: reprodução/techradar.com
A conta é simples: o painel é o componente mais caro de uma televisão, e Samsung, LG e Sony não têm mais opção de fabricar essa peça internamente. As duas primeiras encerraram a produção própria de painéis LCD e hoje dependem justamente das fornecedoras chinesas — BOE e TCL CSOT sozinhas já respondem por mais da metade do mercado global. Segundo o Canaltech, que citou reportagem do TechRadar e dados do site especializado The Elec, o aperto deve incidir com mais força sobre as TVs LCD mais baratas, exatamente a faixa de preço mais disputada durante a Black Friday e onde as margens dos fabricantes já são historicamente menores.
Quem sai perdendo — e quem pode escapar
O timing é o que mais preocupa o varejo: como grande parte dos pedidos de painéis para os aparelhos que chegam às lojas até o fim do ano já foi fechada, o custo extra tende a ser repassado justamente na reta final antes da data mais importante do varejo brasileiro e mundial. Ainda assim, nem tudo está definido — fabricantes e varejistas podem optar por absorver parte do aumento em certos modelos ou concentrar os descontos mais agressivos em linhas específicas para não perder competitividade justamente no pico de vendas do ano.
O pano de fundo da alta
O mais curioso é que as fabricantes chinesas não estão operando no limite da capacidade. Pelo contrário: a estratégia tem sido restringir deliberadamente a produção para conter o excesso de oferta que vinha derrubando preços nos últimos anos — uma forma de defender margens agora que dominam a cadeia global de painéis. Para o consumidor brasileiro, que historicamente vê nas TVs um dos carros-chefe de desconto na Black Friday, o recado é de cautela: vale acompanhar o comportamento de preço nas próximas semanas antes de esperar as ofertas de anos anteriores.