
Ainda existem TVs sem função smart, mas...
Modelos sem conexão à internet viraram nicho enquanto fabricantes descobrem novas fontes de receita com anúncios e serviços embutidos na tela inicial.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O fim da TV burra
Encontrar hoje uma televisão nova, de tamanho relevante, sem sistema operacional embutido, sem Wi-Fi e sem loja de aplicativos virou tarefa quase impossível. Samsung, LG, Sony, TCL, Hisense e Vizio — as maiores fabricantes do mercado — já não produzem mais nenhuma TV de consumo sem plataforma smart. O motivo não é falta de demanda por modelos mais simples: é dinheiro.
De onde vem o dinheiro
Foto: reprodução/pocket-lint.com
O modelo de negócio mudou. Vender o aparelho deixou de ser a única fonte de receita das fabricantes — a tela inicial da smart TV virou vitrine própria, com espaço pago para apps, banners e recomendações de streaming. Isso significa que a empresa continua faturando com a TV muito depois de ela sair da loja, o que ajuda a explicar por que os anúncios aparecem até em aparelhos topo de linha, para irritação de quem só queria assistir a um filme sem interrupção. Wi-Fi e sistema operacional deixaram de ser diferencial de mercado e passaram a compor a configuração básica esperada por qualquer comprador.
O que ainda dá pra encontrar
TV genuinamente "burra" — sem sistema, sem microfone, sem conexão padrão — não desapareceu de vez, mas ficou restrita a nichos. Marcas menores como Westinghouse, Sceptre, Impecca e Supersonic ainda vendem modelos não-smart, quase sempre de 32 polegadas ou menos. Do outro lado, existem os monitores comerciais de sinalização digital, como a linha BE da Samsung, que saem de fábrica sem o sistema smart voltado ao consumidor final — mas custam mais caro e não são pensados pra sala de estar.
Sobra a alternativa de sempre: comprar a smart TV e simplesmente nunca conectá-la à internet. Funciona, mas frustra quem queria, desde o início, evitar depender de um sistema operacional só para trocar de canal.
Vale o preço pagar por menos tecnologia embutida? Para as fabricantes, a resposta é não — a TV virou plataforma de mídia, não só tela. Para quem só queria assistir TV, a escolha ficou mais cara ou mais escondida.