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Mercado30 de set. de 2026, 01:33

TVs superam PCs e viram novo carrinho de compras no Brasil

TV conectada já responde por 60% dos acessos à internet no Brasil, contra 40% do computador — a maior diferença já registrada pelo Cetic.br. O celular segue isolado na liderança, mas é a tela da sala que agora vira alvo do t-commerce.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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60% contra 40%: a tela da sala virou a segunda porta de entrada da internet

É esse o placar que resume a virada: pela primeira vez, a TV conectada (60%) superou o computador (40%) como segundo dispositivo mais usado para acessar a internet no Brasil, atrás apenas do celular. O dado é da pesquisa TIC Domicílios 2025, divulgada em dezembro pelo Cetic.br, braço de pesquisa do NIC.br, entidade que administra o domínio ".br" e monitora o uso da internet no país. A diferença entre os dois dispositivos é a maior já registrada na série histórica da pesquisa, que ouviu mais de 24 mil pessoas entre março e agosto de 2025.

O celular segue isolado, e ninguém chega perto

Foto: reprodução/cartacapital.com.br

Enquanto TV e PC disputam o segundo lugar, o celular nem participa da corrida: está presente em 99% dos acessos à internet no Brasil, com 65% dos usuários dependendo exclusivamente dele para se conectar. O computador, por sua vez, perde espaço estruturalmente — está em apenas 32% dos domicílios brasileiros, concentrado nas classes A e B (97% e 78%, respectivamente), contra 10% nas classes D e E. A TV, ao contrário, entrou pela porta da sala: o Brasil soma 157 milhões de usuários de internet, e a tela que antes só exibia programação linear virou plataforma de navegação.

De tela de streaming a vitrine de compras

O salto da TV no acesso à internet coincide com o avanço do t-commerce. Segundo a Comscore, em estudo também de 2025, 88 milhões de brasileiros — 67% da população digital do país — já consomem conteúdo via TV conectada, com média de 4,3 horas diárias e 8,9 serviços de streaming por domicílio. É esse público que Globo, Google e fabricantes de TV miram agora com a TV 3.0: o novo padrão brasileiro de TV digital, com chegada prevista para 2026, promete deixar o espectador comprar produtos exibidos na tela com poucos cliques no controle remoto, pagando via Pix sem trocar de aparelho. O Google já testa formatos de anúncio com botão de compra integrado para emissoras abertas brasileiras.

Quem ganha: fabricantes de TV e t-commerce. Quem perde: o PC

O beneficiado imediato é o ecossistema de publicidade em vídeo conectado: a audiência de TV conectada deve crescer ainda mais puxada pela Copa do Mundo de 2026, evento para o qual 71% dos espectadores de CTV já dizem que vão acompanhar pela tela conectada. Do outro lado, o computador de mesa perde relevância dupla — não é mais o segundo dispositivo de acesso à internet e também não lidera as compras: hoje, mais de 79% dos acessos ao e-commerce brasileiro partem do celular, contra uma fatia que gira perto de 20% para o desktop, segundo levantamentos do setor de comércio eletrônico. A TV, portanto, ainda não tomou o carrinho de compras do celular — ela tomou o lugar do computador como a segunda tela da casa, e é daí que tenta se cacifar como o próximo ponto de venda do varejo brasileiro.

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