
Twitter volta como rede social paga e reacende briga de marca com o X
A startup Operation Bluebird cobra cerca de R$ 100 para acesso antecipado ao Twitter.now, rede que resgata nome e visual do antigo Twitter e aposta em IA para checar fatos — enquanto a disputa pela marca com a X, de Elon Musk, segue sem decisão final na Justiça dos EUA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 100 é o preço para entrar na fila de um Twitter que talvez nem possa se chamar Twitter
US$ 20, algo como R$ 100 na cotação atual, é o valor que a startup Operation Bluebird cobra de quem quer o selo de "Founder" no Twitter.now, a rede social que ressuscitou nome e identidade visual do Twitter original. Quem quiser um pacote mais completo, batizado de "Fighter", paga a partir de US$ 40 (cerca de R$ 200). Curioso: o X, versão atual da rede comandada por Elon Musk, continua gratuito para se cadastrar.
Quem está por trás do resgate
O projeto nasceu de dois nomes ligados diretamente à história da marca. Stephen Coates é ex-diretor associado do Twitter e trabalhou com questões de propriedade intelectual da empresa; Michael Peroff é advogado especializado em marcas registradas e também já atuou em disputas envolvendo o Twitter. Juntos fundaram a Operation Bluebird, startup sediada na Virgínia (EUA) responsável por trazer de volta o logo do passarinho azul e a nomenclatura que Musk abandonou ao rebatizar a plataforma como X, em 2023.
O diferencial de IA
O principal argumento de venda do Twitter.now é a Vera, sigla para Veracity Engine for Real-time Analysis. A ferramenta, construída sobre o Gemini, do Google, analisa publicações, cruza fontes de referência e atribui uma nota de confiabilidade ao conteúdo — uma resposta direta ao modelo de checagem colaborativa Community Notes, usado pelo X.
Quem ganha e quem perde na briga pela marca
O uso do nome Twitter está longe de ser pacífico. Em dezembro de 2025, a Operation Bluebird protocolou um pedido junto ao escritório de marcas dos Estados Unidos (USPTO) para cancelar os registros de "Twitter" e "tweet" em nome da X Corp, argumentando que a empresa abandonou a marca ao trocar toda a identidade visual pelo X. Em abril de 2026, o juiz federal Colm Connolly deu uma decisão oral preliminar sinalizando que a X pode mesmo ter perdido os direitos sobre "tweet", o logo do pássaro e possivelmente sobre o próprio nome "Twitter" — mas ainda não há decisão final por escrito. A X Corp, por sua vez, processa a startup e sustenta que a marca segue em uso comercial e que o público ainda associa o nome à sua plataforma.
Por ora, quem sai na frente é a Operation Bluebird, que decidiu lançar o produto mesmo sem sentença definitiva — uma aposta calculada, já que a rede ainda soma apenas algumas centenas de usuários. Quem tem mais a perder é a própria X: uma derrota na Justiça pode custar a Musk o direito sobre um nome que, mesmo abandonado operacionalmente, ainda carrega valor de marca. Até lá, a novela do Twitter que virou X e agora tenta voltar a ser Twitter segue sem capítulo final.