
Uber aposta US$ 10 bi em robotáxis para disputar corrida com Waymo e Tesla
A Uber vai investir cerca de US$ 10 bilhões em veículos autônomos, somando compra de carros e participações em montadoras, enquanto Waymo, Zoox e Tesla avançam cada uma com sua própria estratégia de robotáxi nos EUA.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
A Uber decidiu comprar a própria frota autônoma
Depois de anos apostando em parcerias para levar carros autônomos ao seu aplicativo, a Uber anunciou um investimento de cerca de US$ 10 bilhões em robotáxis: US$ 7,5 bilhões destinados à compra direta de veículos autônomos e mais US$ 2,5 bilhões em participações acionárias em montadoras como a Rivian e a Lucid, duas fabricantes americanas de carros elétricos ainda pouco conhecidas do público brasileiro. O anúncio veio junto com um corte de 10% do quadro de funcionários da empresa, cerca de 3.300 pessoas.
Na prática, a Uber fechou acordos com Rivian (10 mil veículos autônomos, com opção de chegar a 50 mil até 2030, rodando em São Francisco e Miami a partir de 2028), Lucid e Nuro (mínimo de 20 mil robotáxis combinados), além de parcerias já em operação com a Avride em Dallas e a Motional em Las Vegas.
Quem são os concorrentes nessa corrida
A Waymo, braço de carros autônomos da Alphabet, controladora do Google, segue na liderança: detém cerca de 25% do mercado de corridas em São Francisco depois de apenas 20 meses de operação e já roda em 15 cidades americanas. A empresa vem encerrando parcerias com a própria Uber em algumas praças, sinal de que prefere operar sozinha onde já tem escala.
A Zoox, comprada pela Amazon em 2020 por US$ 1,2 bilhão, opera corridas públicas em Las Vegas e tem lista de espera para começar em São Francisco. Já a Tesla, que aposta em preço baixo em vez de tecnologia proprietária mais cara, oferece corridas com o Model Y em cidades da Flórida e do Texas e iniciou o serviço do Cybercab em Austin no início de setembro.
Quanto custa e quem fiscaliza
A reportagem original não detalha valores de tarifa ao consumidor final, mas frisa que a infraestrutura para operar frotas autônomas em escala leva pelo menos três anos para ser montada, segundo o CEO da Voltera, Frank Reig. A regulação segue sendo o gargalo citado por todas as empresas: cada cidade decide, caso a caso, quais permissões de zoneamento e operação autônoma libera. Para o consumidor brasileiro, a corrida ainda é distante — nenhuma das quatro empresas tem operação de robotáxi anunciada no país —, mas o tamanho do investimento sinaliza que a disputa deve se acirrar nos próximos anos.