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Smart CitiesMercado23 de out. de 2026, 10:14

Uber cria preferências de embarque para idosos e PCDs no Brasil

Recurso permite informar ao motorista como avisar a chegada e quais equipamentos de mobilidade o passageiro usa, mas chega meses depois de o MPF recomendar à empresa medidas contra discriminação no transporte por app.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O que muda pra quem pede um Uber

A Uber anunciou nesta quarta-feira (21/10) a função Preferências de Partida, que deixa o passageiro configurar de antemão como quer ser avisado da chegada do carro e quais características podem ajudar o motorista a te reconhecer no ponto de encontro. São quatro opções de sinalização: motorista chamar pelo nome, contato pelo próprio aplicativo, piscar os faróis ou buzinar. Do lado da identificação, dá pra informar uso de óculos escuros, bengala branca, bengala comum, muletas, andador ou cadeira de rodas manual.

Na prática, resolve um problema chato e repetitivo: antes, quem precisa desses recursos tinha que mandar mensagem pelo chat a cada corrida explicando a mesma coisa. Agora a informação fica salva e é enviada automaticamente ao motorista. A empresa diz que o recurso também é compatível com leitores de tela como TalkBack e VoiceOver.

Foto: reprodução/mpf.mp.br

Chega pra todo mundo, mas aos poucos

Segundo a Uber, o rollout é gradual e vai alcançar usuários de todo o território nacional nos próximos dias — ou seja, quem mora em capital pode ganhar a função antes de quem está no interior, e não há cronograma público cidade por cidade. A empresa não informou se o recurso já roda em outros países ou se o Brasil é piloto. Também não há porta-voz citado no anúncio, o que deixa no ar quem exatamente responde pela iniciativa dentro da companhia.

O fiscal que cobrou isso primeiro

Vale lembrar o contexto: em agosto, o Ministério Público Federal recomendou formalmente à Uber e à 99 que melhorassem o atendimento a idosos e pessoas com deficiência, depois de apurar casos de recusa de corrida e cancelamento motivados por bengala, muleta ou cadeira de rodas. Entre as exigências estava um estudo de viabilidade, em 90 dias, sobre criar no Brasil um serviço nos moldes do Uber Access — já disponível em outros mercados, com carros adaptados e motoristas capacitados. A Senacon também entrou na jogada para avaliar se é caso de regulação.

A pergunta que fica é se Preferências de Partida substitui essa exigência mais estrutural ou se é só a parte mais barata de resolver: ela ajuda na comunicação, mas não garante carro com rampa, espaço pra cadeira de rodas ou motorista treinado pra embarque seguro. Enquanto o Uber Access segue sem data pra chegar por aqui, cabe perguntar quem vai fiscalizar se a nova função realmente reduz as recusas de corrida — e se vai haver algum canal de denúncia claro quando ela não for respeitada no banco de trás.

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