
Uber e Lyft elevaram PIB de cidades dos EUA em 2,9%, mostra estudo da Carnegie Mellon
Pesquisa da Carnegie Mellon University, publicada na revista Nature Cities, analisou 167 áreas metropolitanas dos EUA e encontrou aumento no PIB per capita e no trabalho intermitente após a chegada de Uber e Lyft, mas sem crescimento no emprego total.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Estudo cruza dados de 167 cidades americanas
Um estudo da Carnegie Mellon University (CMU), publicado em 24 de julho na revista científica Nature Cities, mostra que a chegada de serviços de transporte por aplicativo como Uber e Lyft impulsionou a economia local nos Estados Unidos. A pesquisa analisou 167 áreas metropolitanas do país entre 2010 e 2019, período que cobre a expansão inicial dessas plataformas antes da pandemia de Covid-19.
Segundo o levantamento, o PIB per capita regional cresceu, em média, 2,9% nos seis anos seguintes à chegada dos serviços de transporte por aplicativo em cada cidade estudada. O autor principal, Jeremy Michalek, professor de Engenharia e Política Pública e de Engenharia Mecânica na CMU, afirma que os dados corroboram a percepção de que Uber e Lyft aumentaram a atividade econômica e o volume de deslocamentos nas cidades onde operam.
Empregos instáveis crescem, mas emprego total não se altera
O estudo identificou aumento de cerca de 3,7% na parcela da população em idade ativa envolvida em "empregos instáveis" — categoria que inclui trabalhadores da economia gig, como motoristas de aplicativo. Apesar disso, os pesquisadores não encontraram crescimento estatisticamente significativo no emprego total, nos salários totais ou nos rendimentos vindos especificamente desses trabalhos intermitentes.
Para os autores, esse padrão sugere que boa parte dessas vagas funciona como complemento a outras fontes de renda, e não como emprego principal — pessoas que dirigem entre um trabalho e outro ou para reforçar o orçamento familiar.
Metodologia busca isolar o efeito das plataformas
Como a entrada de Uber e Lyft nas cidades aconteceu de forma escalonada ao longo da década, a equipe da CMU pôde comparar as tendências econômicas de cada região antes e depois da chegada dos aplicativos, usando métodos de diferença-em-diferenças adaptados para políticas implementadas ao longo do tempo. Os pesquisadores também testaram se as empresas simplesmente escolheram lançar operações em cidades que já estavam em ascensão econômica, mas não encontraram tendências prévias relevantes de emprego ou salários que explicassem os resultados — reforçando a hipótese de que o crescimento observado decorre da entrada das próprias plataformas.
Pesquisa foi interrompida por causa da pandemia
A análise se encerra em 2019 porque a pandemia de Covid-19 alterou drasticamente os padrões de mobilidade urbana, o que impediria comparações consistentes. Michalek afirma que a equipe planeja estudos futuros para avaliar os efeitos econômicos de novas tecnologias de mobilidade, como os robotáxis autônomos, que já operam em cidades como Phoenix e São Francisco.
Os achados chegam em um momento em que autoridades municipais nos EUA seguem debatendo regulação de serviços de transporte por aplicativo, taxas cobradas a motoristas e efeitos sobre o setor tradicional de táxis.