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Smart CitiesMercado11 de ago. de 2026, 11:14

Uber e Waymo eram parceiras em robotáxis. Agora são rivais

Depois de três anos operando juntas em Phoenix, Uber e Waymo encerraram a parceria e passam a disputar corrida por corrida em cidades dos EUA — deixando prefeituras com a conta da regulação e da fiscalização.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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De aliadas a concorrentes diretas

Uber e Waymo passaram três anos como parceiras: a gigante dos carros autônomos, ligada ao Google, colocava seus robotáxis à disposição dentro do aplicativo da Uber. Essa aliança começou em Phoenix, no Arizona, e depois se estendeu a Austin e Atlanta, nos Estados Unidos. Em maio, porém, a dupla encerrou o acordo em Phoenix — e a Waymo já avisou que pretende lançar aplicativo próprio em Austin e Atlanta a partir de janeiro de 2028, quando o contrato atual com a Uber também deve terminar. Na prática, cada uma vai atrás do próprio cliente.

Por que romperam

A resposta é simples: as duas querem crescer sozinhas. A Waymo hoje lidera o mercado de robotáxis nos EUA, com frota de cerca de 4 mil veículos autônomos e cerca de 500 mil corridas pagas por semana em dez cidades — incluindo Phoenix, São Francisco, Los Angeles, Austin, Atlanta, Miami, Dallas, Houston, San Antonio e Orlando. A Uber, que não quer depender de terceiros nem ficar de fora do setor mais promissor do transporte urbano, aposta em frota própria: até 20 mil veículos Lucid e 10 mil Rivian, com opção de mais 40 mil a partir de 2028, e planeja estrear operações autônomas em Los Angeles e na região da Baía de São Francisco ainda em 2026. O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, fala em um futuro "híbrido", misturando motoristas humanos e veículos sem motorista.

E o cidadão, fica com o quê?

Para quem pega um carro por app nos Estados Unidos, a corrida entre gigantes de tecnologia tem impacto direto: mais empresas de robotáxi rodando nas mesmas ruas, ao mesmo tempo, sem que fique claro quem responde por acidentes, engarrafamento extra ou uso do espaço público. O texto original do Smart Cities Dive lista problemas que já apareceram em cidades americanas: veículos autônomos que não pararam diante de ônibus escolares parados e até entraram em cenas de crime ativas. Também cita resistência de sindicatos de motoristas e disputas de lobby em prefeituras e legislaturas estaduais.

Por que isso interessa ao Brasil

O caso é americano, mas a pergunta que fica vale para qualquer cidade que sonhe em receber robotáxis: quem paga a conta da infraestrutura e da fiscalização quando duas ou mais empresas de tecnologia disputam o mesmo espaço viário? Nos EUA, cada cidade negocia regras próprias com cada empresa — o que já gera mosaico regulatório entre Phoenix, Austin e Atlanta. Antes de correr atrás da novidade, prefeituras brasileiras que avaliam pilotos de veículos autônomos deveriam perguntar, desde já, quem audita a segurança, que dado é compartilhado com o poder público e quanto custa manter essa fiscalização funcionando.

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