
Uber investe na Zipline e mira 1 milhão de entregas por drone ao dia
A Uber vai integrar drones da Zipline ao Uber Eats e fez um investimento estratégico na startup, avaliada em US$ 7,6 bilhões. A meta é chegar a 1 milhão de entregas diárias por drone até o fim de 2029.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
Um milhão. É essa a meta diária de entregas por drone que Uber e Zipline dizem perseguir até o fim de 2029, segundo o anúncio feito nesta segunda-feira. Se confirmado, o volume equivaleria a mais de 365 milhões de entregas por ano — uma escala que nenhum operador de drones já demonstrou até hoje.
O acordo
A Uber fará um investimento estratégico na Zipline como parte da parceria, sem detalhar o valor ao mercado — a empresa não comentou o montante quando questionada por agências de notícias. O contexto de mercado, porém, ajuda a calibrar múltiplos: a Zipline foi avaliada em US$ 7,6 bilhões após captar uma rodada Series H de US$ 800 milhões no início deste ano.
Os drones vão operar dentro do Uber Eats, dando a restaurantes e comerciantes parceiros mais uma via de cumprimento de pedidos, com tempo de entrega estimado entre 5 e 10 minutos. O serviço começa nos mercados onde a Zipline já opera nos Estados Unidos, antes de expandir para "dezenas de cidades" adicionais. As primeiras entregas devem começar ainda no fim de 2026.
Quem ganha
Para a Uber, a aposta segue a lógica que já aplicou a robôs de calçada e veículos autônomos: multiplicar parceiros de entrega sem assumir a operação física. Para a Zipline, é acesso à maior rede de demanda de delivery do país, além de capital fresco vindo de um parceiro estratégico — não apenas financeiro.
"O quick commerce de verdade está se mostrando um mercado ainda maior do que o de comida original", disse Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, ao comentar o anúncio. Já Keller Cliffton, cofundador da Zipline, enquadrou a parceria em termos históricos: "toda grande revolução de transporte mudou onde as pessoas vivem e como os negócios operam".
Quem fica de olho
Amazon e Wing (da Alphabet) são os concorrentes diretos no espaço de entrega por drone, e ambas vão sentir a pressão de uma Uber com escala de distribuição via Eats. O mercado reagiu: as ações da Uber subiram no dia do anúncio, sinal de que investidores compraram a tese de quick commerce turbinado por drones antes mesmo de qualquer entrega ter saído do papel.
Atualização (17/08, 21:44): Novos detalhes revelam como funcionará, na prática, a entrega por drone da parceria entre Uber Eats e Zipline: o drone principal não pousa no destino. Em vez disso, ele libera um dispositivo menor — comparado a um "filhote" saindo da barriga da aeronave-mãe — que desce até o consumidor para completar a entrega, enquanto o drone maior segue voando para atender outros pedidos sem interromper a rota.
Com esse mecanismo, a Uber estima que os pedidos poderão ser entregues em cinco a dez minutos, tornando o serviço competitivo frente a outras opções de entrega rápida.