
Uber investe US$ 100 mi na Atoms, de Kalanick, que mira robotaxis
A Atoms, holding industrial de Travis Kalanick que captou US$ 1,7 bilhão, comprou a startup de automação Pronto e recontratou Anthony Levandowski — mesmo negando publicamente qualquer plano para o mercado de robotaxis.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 100 milhões. Foi esse o cheque que o Uber assinou para entrar no capital da Atoms, a holding de tecnologia industrial fundada por Travis Kalanick, cofundador e ex-CEO do próprio Uber. O aporte faz parte de uma rodada bem maior: US$ 1,7 bilhão captados neste verão do hemisfério norte, liderados pela Andreessen Horowitz — o tipo de múltiplo que só se justifica se o mercado endereçável for muito mais amplo do que "software industrial".
E é aí que a história fica interessante. Segundo o TechCrunch, a Atoms comprou em março a Pronto, startup especializada em automação de equipamentos de mineração e indústria pesada. Junto com a aquisição, veio um nome pesado: Anthony Levandowski, engenheiro que cofundou a Waymo, chefiou a área de carros autônomos do Uber e depois se envolveu num dos litígios mais caros do setor — o processo por roubo de segredos comerciais do Google, que custou ao Uber algo em torno de US$ 350 milhões. Levandowski chegou a ser condenado e sentenciado a 18 meses de prisão, mas recebeu indulto de Donald Trump em 2021. Agora está de volta ao jogo, dentro da empresa de seu ex-chefe.
Quem ganha, quem nega

Foto: reprodução/thenextweb.com
Há conversas em andamento entre Atoms e Uber sobre uso da tecnologia autônoma da startup em operações de robotaxi, segundo a reportagem. Mas oficialmente a Atoms nega qualquer movimento nessa direção: a empresa se descreve como "companhia de software industrial" e diz não ter "planos de entrar no saturado mercado de robotaxi".
A contradição entre discurso e movimentação de peças (aquisição de startup de automação autônoma, contratação do arquiteto histórico dos carros sem motorista do Uber, conversas diretas com o Uber) é o tipo de sinal que investidores e concorrentes tendem a levar mais a sério do que comunicados de imprensa.
Por que isso importa
Se a Atoms de fato entrar no negócio de robotaxis, a Uber com isso se posiciona duplamente: como investidor financeiro na tecnologia e como potencial cliente/parceiro operacional — repetindo o modelo que já usa com Waymo e outras autônomas. Para o mercado de robotaxi, hoje dominado por Waymo e poucos players com escala, a chegada de um veterano como Levandowski, agora bancado por US$ 1,7 bilhão em capital fresco, muda o tabuleiro competitivo, mesmo que a Atoms prefira, por ora, não admitir o jogo que está jogando.
Atualização (06/09, 21:44): Atualização: A Atoms, empresa fundada por Travis Kalanick que recebeu o aporte de US$ 100 milhões da Uber dentro de uma rodada de US$ 1,7 bilhão liderada pela a16z, confirmou a aquisição da Pronto, startup de automação para veículos de mineração, e anunciou a contratação de Anthony Levandowski — ex-chefe da divisão de carros autônomos da Uber e cofundador da Waymo — para liderar seus projetos de veículos autônomos.
O movimento reforça a lei