
Uber paga US$ 2,3 bi pela ezCater e entra no catering corporativo
A Uber vai comprar a ezCater, plataforma de catering para empresas, em negócio 100% em dinheiro. É mais uma peça na corrida do Uber Eats para virar gigante de entrega de comida.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 2,3 bilhões para entrar no almoço corporativo
A Uber vai pagar US$ 2,3 bilhões em dinheiro pela ezCater, maior plataforma dos Estados Unidos dedicada a catering e refeições corporativas — eventos, reuniões de escritório e programas de alimentação continuados dentro de empresas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (6) e a operação deve ser incorporada ao Uber Eats.
Os números que sustentam o cheque
A ezCater, fundada em 2007 e que passou sete anos sem captar nenhuma rodada antes de levantar US$ 4 milhões em 2014, não é uma startup qualquer: opera uma rede de mais de 140 mil restaurantes nos EUA, fechou os últimos 12 meses com mais de US$ 2,5 bilhões em gross bookings, crescendo em ritmo de dois dígitos altos ("high teens") ao ano, com ticket médio acima de US$ 400 por pedido — bem superior ao de um delivery tradicional. A Uber afirma que o negócio já é rentável em base non-GAAP e que deve ser "accretive" (positivo) para as margens do grupo, somando algo em torno de 2% aos bookings anualizados da divisão de Delivery.
Quem ganha
A aposta junta três peças que a Uber já tinha separadas: a base de restaurantes do Uber Eats, o relacionamento corporativo do Uber for Business e agora o marketplace B2B da ezCater. Para os restaurantes parceiros, a entrada em catering abre uma linha de receita mais gorda e menos sazonal que o delivery individual. Segundo o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, "catering is a big business, and can be a huge revenue stream for restaurants" — ou seja, a empresa vende a aquisição como ganho também para quem está do lado da oferta.
Quem perde — ou fica sob pressão
Players menores de catering corporativo e apps independentes de pedidos para eventos perdem a janela de crescer sozinhos antes de disputar espaço com a escala do Uber Eats e o caixa da Uber. O movimento também aumenta a pressão competitiva sobre DoorDash e outras plataformas de entrega que ainda não têm uma vertical B2B robusta.
Parte de uma onda maior
A compra da ezCater não é um caso isolado: a Uber já está em processo de aquisição da alemã Delivery Hero por cerca de US$ 15 bilhões e vem fechando parcerias de entrega por drone com Zipline e Flytrex. O recado é claro: o Uber Eats está comprando pedaços de mercado — geografia, tecnologia de entrega e agora um nicho B2B inteiro — para se consolidar como a maior rede de distribuição de comida do mundo, não só a maior de corridas de carro.
O negócio ainda depende de aprovação regulatória, com fechamento previsto para os próximos meses.