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Mercado11 de ago. de 2026, 18:58

Uber zera participação na Serve Robotics após parceria azedar

Uber saiu completamente do capital da Serve Robotics, empresa de entregas por robôs que nasceu dentro da própria Uber em 2021, pegando a parceira de surpresa em meio a divergências sobre como escalar a frota autônoma.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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15,2% zerados: Uber sai de vez da Serve Robotics

A Uber vendeu toda a sua participação acionária na Serve Robotics — que já havia chegado a 15,2% do capital da empresa de robôs de entrega, segundo registros regulatórios de 2024 — e não avisou a parceira antes de divulgar a operação. A informação veio à tona em documento regulatório apresentado nesta sexta-feira, e a Serve afirma ter sabido da venda apenas depois que ela já era pública. O rompimento encerra um vínculo que remonta a 2021, quando a divisão de robótica nascida da compra da Postmates por US$ 2,65 bilhões, em 2020, foi separada como empresa independente.

De parceira estratégica a sócia que se despede calada

Uber e Serve aprofundaram a relação em 2022 e, em 2023, ampliaram o acordo para colocar até 2 mil robôs rodando dentro do Uber Eats. A saída do capital, no entanto, não foi um movimento repentino: registros mostram que a Uber já vinha reduzindo sua posição ao longo de 2025, um processo que se arrasta há pelo menos um ano antes da saída total agora confirmada. Ali Kashani, cofundador e CEO da Serve, já havia sinalizado dias antes da divulgação que as duas empresas tinham "visões diferentes" sobre o modelo de operação para escalar a frota autônoma compartilhada — um jeito diplomático de dizer que o casamento não ia bem.

Quem perde primeiro: a Serve sente o baque nos números

O impacto apareceu rápido nos resultados operacionais da Serve: a empresa registrou sua primeira queda trimestral no volume de entregas depois de 17 trimestres seguidos de crescimento — um indicador direto de quanto a plataforma da Uber pesava no negócio. Do lado bom, a Serve mostrou crescimento de 50% em entregas via outro parceiro no mesmo período, sinal de que está tentando diversificar às pressas antes que a dependência de um único canal vire um problema maior. A expectativa do mercado é que o contrato entre as duas empresas, com vencimento previsto para o início de 2027, simplesmente não seja renovado.

Quem ganha com a separação

Para a Uber, a saída do capital da Serve libera caixa e reduz exposição a uma aposta de robótica que não decolou na velocidade esperada, num momento em que a empresa prioriza sua própria frota de parceiros autônomos multimarcas. Já a Serve Robotics — que opera robôs de entrega de quatro rodas em Los Angeles, Miami e Chicago — passa a ter de provar que consegue crescer sem o principal canal de distribuição que a lançou. A queda depois de 17 trimestres de alta é o primeiro teste real dessa tese.

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