
Ubisoft exige volta ao escritório 5 dias por semana e greve toma a empresa
A exigência de retorno presencial total, logo após um acordo de home office firmado no ano anterior, provocou greve de sindicatos franceses em meio à sexta rodada de demissões da Ubisoft em 2026.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Olha só o que a Ubisoft fez dessa vez
A Ubisoft, francesa dona de franquias como Assassin's Creed e Far Cry, determinou que todo mundo volta a trabalhar presencial cinco dias por semana. A empresa diz que é pra "fortalecer colaboração e criatividade". O problema é o timing: isso veio logo depois de a própria empresa ter fechado, no ano anterior, um acordo de dois dias de home office por semana. Pra quem trabalha lá, parece quebra de promessa — e foi exatamente assim que os sindicatos leram.
A resposta veio rápido
Foto: reprodução/kotaku.com
Cinco sindicatos franceses — STJV, Solidaires Informatique, CGT, CFE-CGC e Printemps Écologique — convocaram greve, com paralisação de três dias em fevereiro. A própria Ubisoft contou 699 grevistas só na França, quase um quinto do quadro no país, além de cerca de 60 na Itália. No Canadá, a tensão é outra: a Ubisoft Halifax, estúdio que tinha acabado de se sindicalizar, foi fechada — e sindicalistas questionam se não foi retaliação.
Isso não é a primeira crise do ano
2026 já teve pelo menos seis rodadas de demissões na Ubisoft. Em janeiro, fecharam estúdios em Estocolmo e Halifax. Em junho, foi a vez de Winnipeg — depois de oito anos de operação — e Belgrade, na Sérvia, além de cortes em Barcelona e na equipe de Rainbow Six em Montreal. No total, o ano já soma mais de 680 demissões, segundo levantamentos do setor. A empresa fechou o último ano fiscal com prejuízo de € 1,5 bilhão e um plano de corte de custos de € 500 milhões até 2028 — mesmo depois de receber um aporte de US$ 1 bilhão da chinesa Tencent, gigante de tecnologia que também é uma das maiores investidoras em games do mundo.
O que isso significa pra quem joga
Pra quem só acompanha de fora, o recado é direto: uma empresa em reestruturação, com estúdios fechando e equipes reduzidas, tende a atrasar jogos e cancelar projetos — cenário já associado a rumores sobre cortes na produção de outros títulos da companhia. Vale ficar de olho se isso afeta prazos de lançamentos anunciados.
E agora?
A Ubisoft diz que quer manter "diálogo aberto" com funcionários e sindicatos. Mas depois de anos sem reajuste salarial relevante, segundo os próprios sindicatos, a paciência do lado dos trabalhadores parece ter acabado.