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Mercado17 de ago. de 2026, 15:32

Ubuntu cresce mais dentro do Windows do que como sistema nativo

VP de engenharia da Canonical diz que a base de usuários do Ubuntu via WSL cresce mais rápido que a instalação nativa e deve ultrapassá-la em poucos meses.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O WSL virou a porta de entrada do Ubuntu

A Canonical está vendo um fenômeno que inverte a lógica histórica do open source: o Ubuntu cresce mais rápido dentro do Windows do que como sistema operacional nativo. Jon Seager, VP de Engenharia da Canonical, afirmou em entrevista ao newsletter The Pragmatic Engineer, de Gergely Orosz, que "em um ano, o crescimento em nossos números de WSL é significativamente maior que o crescimento em números de Desktop".

A declaração, dada em 28 de abril de 2026 e repercutida em agosto, não veio acompanhada de percentuais oficiais — a Canonical tratou o dado de forma qualitativa —, mas o recado é direto: Seager espera "ver mais usuários de Ubuntu WSL do que usuários de Ubuntu 'nativos' nos próximos meses", não anos.

Quem ganha com a virada

O principal beneficiado é o próprio ecossistema Windows Subsystem for Linux, da Microsoft, que se consolida como a via mais prática para rodar ferramentas Linux sem trocar de sistema operacional. Segundo Seager, o motor por trás da migração é corporativo: desenvolvedores recebem notebooks Windows dos empregadores por política de TI, mas precisam de ambiente Linux para trabalhar com IA e machine learning — e resolvem isso via WSL em vez de dual-boot ou máquina virtual.

Quem perde terreno

O lado que perde é a instalação nativa do Ubuntu em desktops físicos, que segue crescendo, mas em ritmo mais lento que a versão hospedada dentro do Windows. Na prática, o Windows passa a funcionar como camada de lançamento para uma experiência majoritariamente Linux — um resultado paradoxal para a Microsoft, que criou o WSL para reter desenvolvedores no próprio sistema, mas viu esses mesmos usuários aprofundarem o uso de ferramentas Linux dentro dele.

O que fica em aberto

A Canonical não divulgou números absolutos de instalações WSL nem cronograma fechado para o cruzamento das curvas, então o "poucos meses" citado por Seager ainda é uma projeção interna da empresa, não um dado auditado publicamente.

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