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Mercado13 de out. de 2026, 01:15

Ultrahuman fecha parceria de 2 anos para medir idade biológica nos Emirados

A fabricante indiana de anéis inteligentes assinou memorando com o Centro de Saúde Pública de Abu Dhabi para criar um modelo de idade biológica que combina exames clínicos com dados de wearables. O objetivo é levar o índice a toda a população dos Emirados Árabes Unidos via plataformas do governo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Dois anos é o prazo do acordo que pode levar a idade biológica a toda a população de Abu Dhabi

Esse é o horizonte do memorando de entendimento assinado entre o Centro de Saúde Pública de Abu Dhabi (ADPHC) e a Ultrahuman Healthcare, braço de saúde da startup indiana fabricante de anéis inteligentes de saúde e sono. As duas partes vão desenvolver e validar, ao longo desse período, um modelo de "idade biológica" que cruza biomarcadores clínicos — exames de sangue e outros indicadores médicos — com dados coletados por dispositivos vestíveis, os wearables.

De gestão de doença para previsão e prevenção

Foto: reprodução/techcrunch.com

"A saúde pública está evoluindo da gestão de doenças para a previsão, prevenção e intervenção precoce", afirmou o diretor-geral do ADPHC, Rashed Obaid Alsuwaidi, ao anunciar a parceria. O modelo vai analisar fatores como sono, atividade física, saúde cardiovascular e metabolismo para estimar o ritmo de envelhecimento de cada pessoa e apontar o que pode estar acelerando ou desacelerando esse processo. O acordo foi assinado por Faisal Al Ahbabi, diretor executivo de Doenças Transmissíveis do ADPHC, e por Mohit Kumar, fundador e CEO da Ultrahuman Healthcare.

Um detalhe importante do desenho do produto: o sistema é pensado para ser agnóstico de dispositivo, aceitando dados de anéis, relógios, pulseiras e adesivos de diferentes fabricantes, não só da própria Ultrahuman. O acesso ao resultado deve chegar à população por meio das plataformas digitais do governo dos Emirados, TAMM e Sahatna, e todos os dados devem permanecer armazenados dentro de Abu Dhabi, sob regras de governança e privacidade — a empresa afirma que não terá acesso a informações pessoalmente identificáveis dos usuários do programa.

Quem ganha com o acordo e o que fica de fora

Para a Ultrahuman, que já vendeu cerca de 800 mil anéis inteligentes no mundo e tem nos Emirados cerca de 4% a 5% da receita total após quase cinco anos de operação no país, o acordo é a porta de entrada para um salto de escala: de vender hardware para clientes individuais — hoje concentrados na faixa de 25 a 43 anos, com retenção cerca de 25% maior do que em outros mercados — para fornecer um algoritmo de saúde em nível nacional, validado por uma autoridade pública. É a primeira experiência da empresa nesse formato, financiada em rodada anterior que contou com aporte da Qualcomm.

Quem sente a pressão é a concorrente direta Oura, rival no mercado de anéis inteligentes, que não tem (até o momento) parceria equivalente de validação clínica com um governo. Para o cidadão de Abu Dhabi, o benefício prometido é acesso gratuito, via app público, a um indicador de saúde personalizado — mas o modelo ainda está em fase de desenvolvimento e validação, sem data certa de lançamento ao público geral.

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