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Mercado01 de set. de 2026, 22:57

Desvalorizada em 94% Unacademy é vendida à upGrad

A upGrad fechou a compra da Unacademy por US$ 206 milhões em ações — uma fração dos US$ 3,44 bilhões que a startup indiana valia em 2021. O acordo consolida o mercado de edtech na Índia e expõe o estrago que sobrou do ciclo de hype pós-pandemia.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

US$ 206 milhões. Foi esse o valor que a upGrad pagou, em ações, para levar a Unacademy — uma das edtechs mais badaladas da Índia durante o boom do ensino remoto. O problema é o que vem depois da vírgula histórica: em 2021, no auge da pandemia, a startup foi avaliada em US$ 3,44 bilhões. A conta fecha em uma queda de aproximadamente 94% em relação ao pico, segundo o TechCrunch.

O negócio, fechado em 1º de setembro, é all-stock: os acionistas da Unacademy — incluindo peso-pesados como SoftBank, Tiger Global e General Atlantic, além de investidores-anjo já reembolsados — trocam suas posições por participação na upGrad. A operação havia sido anunciada em março e cobre todo o grupo, incluindo as unidades PrepLadder e Graphy.

Contextualizando o múltiplo

A Unacademy não chega ao altar quebrada. A empresa, fundada em 2015 por Gaurav Munjal em Bengaluru, mantinha cerca de ₹9 bilhões (US$ 94,8 milhões) em caixa e receita anual na casa de ₹4 bilhões (US$ 42,13 milhões), com boa parte das unidades de negócio lucrativas ou próximas disso. Ou seja: o deságio não é sobre operação quebrada, é sobre valuation de ciclo de liquidez artificialmente inflado — o mesmo fenômeno que atingiu em cheio a Byju's, avaliada em US$ 22 bilhões e reduzida a zero antes de entrar em processo de insolvência em 2024. A edtech indiana como um todo desinchou depois que as salas de aula presenciais reabriram e o apetite por assinaturas online murchou junto.

Em entrevista, Munjal resumiu o ciclo sem rodeios: "Levantamos no pico, mas vendemos por uma fração disso." Ele credita a decisão não à pressão financeira, mas à aposta estratégica ao lado de Ronnie Screwvala, fundador da upGrad.

Quem ganha, quem perde

A upGrad sai na frente: incorpora uma base de usuários massiva — os vídeos da Unacademy no YouTube somam mais de 10 bilhões de visualizações — e o Airlearn, app de idiomas que já figura entre os três mais baixados do mundo no segmento, categoria que Screwvala destacou como aposta de expansão global. Munjal segue como CEO da Unacademy, agora sob o guarda-chuva da rival, tocando o operacional online e o Airlearn.

Já os investidores de peak-2021 — SoftBank à frente — realizam perda expressiva de capital, ainda que os detalhes de participação individual não tenham sido abertos. É o retrato mais recente de como o dinheiro fácil da era de juro zero se transformou em desvalorização de dois dígitos percentuais para boa parte do ecossistema edtech indiano, com a consolidação via M&A virando a saída mais realista para fundadores que não vão a IPO.

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