
Empresa chinesa vira líder global de robôs humanoides baratos
A chinesa Unitree lidera o mercado de robôs humanoides comerciais abaixo de US$ 6 mil, resultado do controle extremo de custos do fundador Wang Xingxing sobre cada detalhe do produto.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que separa a Unitree do resto do mercado
A Unitree vende hoje o robô humanoide R1 a partir de US$ 5.900 — o único produto do tipo comercialmente disponível abaixo de US$ 6 mil no mundo. A Unitree, fabricante chinesa de robôs que se tornou uma das principais fornecedoras globais de humanoides, saiu na frente enquanto rivais ainda discutem preço no papel: a Tesla estima vender o Optimus por US$ 20 mil a US$ 30 mil quando (e se) ele chegar ao mercado, e a americana Figure AI nem vende robôs — aluga a hora de trabalho de suas máquinas por cerca de US$ 25.
Micromanagement como estratégia
Segundo reportagem da Ars Technica baseada em perfil da revista chinesa Caijing, a vantagem de custo da Unitree nasce do estilo de gestão do fundador Wang Xingxing, que tinha 26 anos quando abriu a empresa em 2016. Ele decide pessoalmente detalhes que a maioria dos CEOs delega, da cor de materiais ao comprimento de parafusos individuais nos robôs. Wang chama os cortes de preço de "esforço deliberado" para baixar a barreira de entrada, estimular demanda e construir um ecossistema comercial maior — não de simples promoção.
Quem ganha e quem ainda disputa a liderança
Os números de participação de mercado divergem conforme a consultoria. Segundo a TrendForce, Unitree e a rival chinesa AgiBot devem somar cerca de 80% do mercado global de humanoides em 2026. Já a Smart Analytics Global calcula que a AgiBot ultrapassou a Unitree no primeiro semestre, com crescimento de 272% ano a ano contra 170% da Unitree — que ainda assim mantém cerca de 31% de fatia global. O consenso entre as fontes: fabricantes chineses respondem por cerca de 97% dos embarques mundiais de robôs humanoides.
O que falta responder
Wang ficou "fenomenalmente rico" após o IPO da Unitree na bolsa de Xangai em 19 de agosto. Mas o mesmo perfil que explica o sucesso da empresa também é apontado como seu maior risco: uma companhia que cresce ancorada em decisões pessoais de um único fundador tende a travar quando precisa escalar além do controle direto dele. Se a Unitree consegue ou não profissionalizar esse modelo antes que a concorrência alcance o mesmo preço é a pergunta que o mercado ainda não respondeu.