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Mercado12 de ago. de 2026, 23:46

US$ 250 milhões, um CEO fora e um rastro de acusações de fraude

A aquisição da indiana VideoVerse pela Minute Media, avaliada em US$ 250 milhões, desmoronou em meio a acusações de documentos forjados, empréstimos não pagos e processos cruzados envolvendo o cofundador Vinayak Shrivastav.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 250 milhões é o valor que ninguém mais sabe quem vai receber

Em setembro de 2025, a Minute Media — companhia de mídia esportiva com sede em Nova York e Tel Aviv, apoiada pela BlackRock — anunciou a compra da indiana VideoVerse por US$ 250 milhões. Menos de um ano depois, o negócio virou pó, e o cofundador e ex-CEO Vinayak Shrivastav está no centro de uma disputa judicial com pelo menos três processos abertos na Corte de Chancelaria de Delaware.

O que a VideoVerse vendia

Foto: reprodução/techcrunch.com

A startup era dona do Magnifi, plataforma de edição de vídeo com IA usada por clientes como Champions League, Wimbledon, Australian Open e times universitários americanos — o tipo de ferramenta que automatiza cortes de melhores momentos para emissoras e ligas esportivas. Foi esse produto que atraiu a Minute Media à mesa de negociação.

Onde a história desanda

Segundo a reportagem da TechCrunch, a Minute Media descobriu "discrepâncias significativas" nas representações feitas pela VideoVerse e cortou relação com a empresa em maio. Paralelamente, a gestora Lingotto — que havia estruturado um empréstimo de US$ 55 milhões, com US$ 53 milhões repassados em outubro — alega que documentos críticos da operação foram forjados, incluindo uma assinatura atribuída ao CEO da Minute Media que ele nunca deu, além de prints fabricados de saldos bancários internos. Um pagamento de US$ 4 milhões devido à Lingotto em 31 de março nunca chegou. Shrivastav deixou o cargo de CEO no fim de abril.

Quem processa quem

A lista de credores feridos cresceu. A Bluestone Equity Partners, que investira cerca de US$ 45 milhões na VideoVerse em 2023, também move ação por fraude. E o ex-COO Sabya Das — que chegou à empresa vindo da Moneta Ventures, uma das primeiras investidoras — processa Shrivastav por US$ 75,9 milhões, alegando um esquema envolvendo vendas secundárias de ações e um empréstimo confidencial a juros altos.

Quem ganha, quem perde

Por ora, ninguém: a Minute Media não fechou a aquisição que anunciara com estardalhaço, os investidores da VideoVerse — Lingotto, Bluestone, Moneta — correm atrás de dinheiro que pode não voltar, e a própria VideoVerse perdeu o CEO em meio ao escândalo. Shrivastav não respondeu a pedidos de contato da reportagem; seu endereço mais recente, citado no processo de Das, fica em Palm Jumeirah, em Dubai. O caso segue em aberto na Justiça americana, sem previsão de desfecho.

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