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Gadgets26 de set. de 2026, 16:38

Usar o celular no powerbank enquanto carrega não vicia a bateria, diz engenheiro

Engenheiro da PUCPR explica que baterias de lítio não sofrem o 'efeito memória' das antigas baterias de níquel — o risco real está no calor gerado por power banks de baixa qualidade.

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

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Efeito memória não existe nas baterias atuais

Usar o celular enquanto ele carrega no power bank virou hábito para boa parte dos brasileiros — e também motivo de medo. Segundo Joelton Gotz, engenheiro de controle e automação e professor da PUCPR, universidade privada de Curitiba com forte tradição em engenharia, a resposta é direta: "utilizar o celular enquanto ele está conectado a um power bank não faz com que a bateria fique viciada".

O engenheiro explica que o "efeito memória" — quando a bateria "esquece" sua capacidade total se recarregada antes de descarregar por completo — é característica de baterias antigas de níquel-cádmio, não das baterias de íons de lítio usadas em praticamente todo smartphone vendido hoje. Durante o carregamento, parte da energia alimenta a bateria e outra parte vai direto para os circuitos do aparelho; não há um ciclo contínuo de carga e descarga que desgaste a célula de forma acelerada.

Foto: reprodução/spacemoney.com.br

O risco real é o calor

Gotz aponta a temperatura como o principal fator de envelhecimento das baterias de lítio. Usar o celular enquanto carrega — para jogos pesados ou vídeos em 4K, por exemplo — gera calor extra, e é esse calor, não o "vício", que reduz a vida útil da bateria com o tempo.

O aviso ganha peso depois de dois incidentes recentes: em agosto, uma bateria pegou fogo dentro de um trem em São Paulo, e em junho outro caso ocorreu em um avião da Tianjin Airlines, companhia aérea chinesa. Nos dois casos, o problema não foi o uso simultâneo do aparelho, mas equipamentos de procedência duvidosa.

Como reduzir o risco de verdade

A recomendação prática é simples: evitar power banks baratos ou sem certificação, priorizando modelos com proteção contra sobrecorrente, sobretensão, curto-circuito e sobretemperatura. Se o celular esquentar muito durante o uso, o ideal é pausar atividades pesadas e prestar atenção aos alertas do próprio sistema, como redução de velocidade ou desligamento automático por temperatura.

Na prática, o "vício" na bateria é mito — o perigo real está em comprar equipamento sem procedência.

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