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MercadoCiência08 de ago. de 2026, 16:02Atualizada em 10 de ago. de 2026, 21:49

Usina a gás da Amazon no Texas pode ser a mais poluente dos EUA

Projeto GW Ranch, financiado pela Amazon em Pecos County, Texas, tem permissão para emitir até 33 milhões de toneladas de CO2 por ano para abastecer um data center de IA — mais que a maior usina a carvão do país.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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Usina privada vai alimentar data center de IA no Texas

A Amazon confirmou que investiu na construção de uma usina termelétrica a gás natural em Pecos County, no oeste do Texas, para abastecer exclusivamente um novo data center de inteligência artificial. O projeto, batizado de GW Ranch e desenvolvido pela Pacifico Energy, terá 35 turbinas a gás e capacidade de 7,65 gigawatts — mais do que qualquer usina a gás atualmente em operação nos Estados Unidos, segundo reportagem do New York Times replicada pelo The Verge.

Permissão de emissão bate recorde

Foto: reprodução/techxplore.com

Em janeiro, a GW Ranch recebeu do estado do Texas uma licença ambiental que permite emitir até 33 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. O volume supera até mesmo a maior usina a carvão do país, a James H. Miller Jr., no Alabama, que emite cerca de 16 milhões de toneladas anuais — menos da metade do teto autorizado para o empreendimento da Amazon. Usinas raramente emitem tudo o que suas licenças permitem, mas o próprio limite já chama atenção por ser considerado frouxo.

A descoberta do vínculo entre a Amazon e a usina foi feita pela Cleanview, empresa de inteligência de mercado que rastreia data centers e seus projetos de energia associados. A equipe cruzou imagens de satélite com três permissões de construção de data center apresentadas pela Amazon recentemente até identificar a ligação com a GW Ranch. A empresa confirmou que comprou o terreno e planeja adquirir energia da usina.

Fora da rede elétrica, ao menos por enquanto

A usina deve operar inicialmente desconectada da rede elétrica do Texas, fornecendo energia diretamente ao data center. A Pacifico Energy afirma que pretende adicionar até 750 megawatts de geração solar no local e 1,8 gigawatt de armazenamento em baterias, além de usar água subterrânea salobra e não potável para reduzir a pressão sobre o lençol freático da região.

Impacto na meta climática da Amazon

O projeto representa um revés para o Climate Pledge, compromisso assumido por Jeff Bezos de tornar a Amazon neutra em carbono até 2040. As emissões da empresa vêm subindo há vários anos por causa da demanda crescente de data centers de IA. Em nota ao New York Times, a porta-voz da Amazon, Margaret Callahan, disse que "o mundo parece diferente agora do que quando cofundamos o compromisso climático", mas que "nosso compromisso não mudou".

A Amazon não está sozinha nesse movimento: Meta e Google também têm construído usinas próprias, recorrendo a gás, carvão e outras fontes não renováveis para suprir a expansão acelerada da infraestrutura de IA. O caso ainda ganha outra camada política, já que o governo Trump tem atuado para afrouxar restrições sobre esse tipo de usina poluente nos Estados Unidos.


Atualização (10/08, 21:49): A Amazon confirmou oficialmente ser a empresa por trás da usina termelétrica a gás no condado de Pecos, no Texas, batizada de GW Ranch e desenvolvida pela Pacifico Energy. Até então, a ligação da gigante de tecnologia ao projeto havia sido apontada por imagens de satélite analisadas pela empresa de inteligência de mercado Cleanview, sem confirmação direta da companhia. Um porta-voz da Amazon declarou que "a empresa acredita em pagar o custo total de energizar suas operações", justificando a decisão de gerar energia própria para não repassar custos a consumidores comuns, cujas contas de luz têm subido por conta da infraestrutura de IA.

Novos números também vieram à tona: a usina terá 35 turbinas a gás e capacidade de 7,65 gigawatts, tornando-se maior que qualquer termelétrica a gás em operação nos EUA atualmente. O empreendimento foi autorizado a emitir até 33 milhões de toneladas de CO2 por ano — a maior autorização desse tipo já concedida no país — e ainda incluirá 1,8 GW de armazenamento em baterias e 750 MWac de capacidade solar. O projeto funcionará como um campus privado e fora da rede elétrica pública (off-the-grid), dedicado a alimentar data centers de IA da Amazon.

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