
Cidade do Estados Unidos vai instalar sensores em 160 cruzamentos para reduzir acidentes
O Departamento de Transportes de Utah (UDOT) contratou sensores lidar da Ouster, via Econolite, para equipar 160 novos cruzamentos e tentar reduzir atropelamentos de pedestres e ciclistas até o fim de 2026.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Mais sensores nas ruas, mas menos clareza sobre o custo
O Departamento de Transportes de Utah (UDOT) anunciou que vai instalar sensores lidar em 160 novos cruzamentos do estado, ampliando um contrato anterior que já havia colocado a tecnologia em mais de 100 pontos em 2025. A empreitada é conduzida pela fornecedora de sinalização Econolite, que usa os sensores de "lidar de cor" da Ouster — capazes de detectar objetos a até 500 pés (cerca de 150 metros) de distância, em campo de visão de 360 graus. A entrega está prevista para o quarto trimestre de 2026.
Na prática, esses cruzamentos vão passar a "enxergar" pedestres, ciclistas, usuários de scooter e cadeirantes em tempo real, ajustando os semáforos conforme o movimento detectado. É a promessa de sempre da mobilidade inteligente: menos espera parado no farol vermelho, mais segurança para quem está fora do carro. Segundo Asad Lesani, vice-presidente de soluções ITS global da Ouster, o lidar permite "detecção, classificação e rastreamento em tempo real" desses usuários vulneráveis.
Os números que justificam o investimento
Utah tem motivos concretos para investir nisso. Em 2024, o estado registrou 883 acidentes envolvendo pedestres, dos quais 20% resultaram em ferimentos graves ou mortes. Quase 600 ciclistas também se envolveram em colisões no mesmo período. Ao todo, a UDOT administra mais de 1.300 semáforos — o que dá a dimensão do quanto ainda falta para que a tecnologia cubra a rede viária inteira, mesmo somando os 160 novos cruzamentos aos mais de 100 já contratados no ano passado.
O que ainda falta explicar
O material divulgado até agora não traz o valor do contrato com a Econolite e a Ouster, nem detalha quem vai fiscalizar o desempenho dos sensores depois da instalação — perguntas que qualquer cidadão pagador de imposto deveria fazer antes de comemorar. Cidades como Las Vegas e Phoenix também têm expandido lidar em cruzamentos nos Estados Unidos, geralmente citando os mesmos argumentos de segurança, mas raramente publicando dados independentes de redução de acidentes após a instalação.
Vale lembrar que tecnologia de sensor, sozinha, não resolve travessia mal sinalizada, calçada estreita ou motorista desatento. Se o objetivo é mesmo proteger pedestre e ciclista, o lidar da Ouster precisa vir acompanhado de dados públicos, avaliação de resultado e, sobretudo, transparência sobre quanto Utah está pagando por isso — informação que, por ora, segue fora do comunicado oficial.