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Ciência23 de out. de 2026, 09:32

Vacina de mRNA personalizada contra câncer reduz recidiva de melanoma em 42%

Moderna e Merck anunciaram resultados de fase 3 mostrando que a vacina individualizada intismeran, combinada ao Keytruda, corta em 42% o risco de morte ou recidiva do melanoma em comparação ao tratamento padrão isolado.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma vacina feita sob medida para o DNA do tumor de cada paciente

A farmacêutica americana Moderna, conhecida pela vacina de mRNA contra a Covid-19, e a Merck, uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo, anunciaram resultados de fase 3 de uma vacina personalizada contra o câncer que reduziu em 42% o risco de morte ou recidiva em pacientes com melanoma de alto risco. Os dados foram apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madrid.

O que é confirmado

O estudo, chamado INTerpath-001, testou a vacina intismeran autogene — desenvolvida a partir de mutações genéticas específicas do tumor de cada paciente — combinada ao Keytruda (pembrolizumabe), imunoterápico já aprovado e vendido pela Merck, contra o uso isolado do Keytruda. Participaram 1.137 pessoas com melanoma em estágio avançado (IIB a IV) que haviam passado por cirurgia para remoção do tumor.

Após acompanhamento médio de 24,6 meses, a combinação vacina + Keytruda reduziu em 42% o risco relativo de recidiva ou morte em comparação ao Keytruda isolado. O risco de metástase a distância (espalhamento do câncer para órgãos distantes) caiu 59% no mesmo grupo. Em análise por subgrupo, pacientes em estágio mais avançado (3B-4) tiveram redução de 43% no risco de recidiva, enquanto os em estágio menos avançado (2B-3A) tiveram queda de 40%.

O que ainda é expectativa

Os resultados foram aceitos para publicação no New England Journal of Medicine, mas essa publicação formal ainda não ocorreu. As empresas afirmam estar se preparando para pedir aprovação da vacina às autoridades regulatórias dos Estados Unidos, com expectativa de lançamento comercial em 2027 — um prazo que depende da análise regulatória e não está garantido. Apesar dos resultados positivos, as ações da Moderna e da Merck caíram no mercado financeiro após o anúncio, em parte porque dados do estudo já haviam vazado antes da apresentação oficial.

Por que isso importa

Se confirmada em publicação revisada por pares e aprovada pelos reguladores, a intismeran seria a primeira vacina personalizada de mRNA contra câncer a comprovar eficácia em um estudo de fase 3 de grande porte — um marco para a imuno-oncologia que usa a mesma plataforma tecnológica das vacinas de Covid-19 para treinar o sistema imune a reconhecer e atacar células tumorais específicas de cada paciente.

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