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MercadoIA20 de set. de 2026, 18:01

Vals AI capta US$ 40 mi com a16z para virar árbitro dos benchmarks de IA

Startup de dois anos avaliada em US$ 400 milhões quer resolver um problema incômodo do setor: modelos de IA sendo avaliados pelas próprias empresas que os vendem. Receita já cresceu oito vezes em um ano.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 40 milhões pela credibilidade

US$ 40 milhões. Foi esse o cheque que a Vals AI, startup fundada em 2024 para testar modelos de inteligência artificial de forma independente, levantou em uma rodada Series A que a avalia em US$ 400 milhões. A rodada foi liderada pela Andreessen Horowitz — uma das maiores gestoras de venture capital do Vale do Silício, também conhecida como a16z, com participações em nomes como OpenAI e Anthropic — e contou com os investidores já existentes 8VC, Pear VC e Bloomberg Beta, além dos novatos HRT Ventures e NextLadder Ventures.

O múltiplo de dez vezes entre captação e valuation não é acidente: reflete a aposta de que avaliação de IA vai virar infraestrutura crítica à medida que empresas param de confiar apenas na palavra das próprias fabricantes de modelos.

O problema que a Vals quer resolver

A tese da empresa, liderada pelo CEO e cofundador Rayan Krishnan, de 25 anos — ex-estagiário na Palantir e que passou pela Microsoft e pelo laboratório de IA de Stanford —, é simples de enunciar e difícil de executar: os benchmarks que hoje definem qual modelo é "o melhor" são, em boa parte, públicos e conhecidos previamente pelas empresas que os treinam, o que permite otimizar resultados artificialmente em vez de medir capacidade real.

A Vals ataca isso construindo testes proprietários e não divulgados, aplicados a tarefas profissionais reais — direito, finanças, engenharia, saúde e cibersegurança —, com pontuação automatizada que mede se o modelo produz trabalho equivalente ao de um humano especializado. Também estreou um programa de avaliação para agências federais nos Estados Unidos.

Quem ganha e quem perde

Ganham as empresas que compram IA e não têm como auditar cada modelo antes de licenciar: bancos, escritórios de advocacia, hospitais e agora até órgãos públicos ganham um selo de terceira parte para embasar decisão de compra. Ganha também a própria Vals, cuja receita já cresceu oito vezes em um ano, com o quadro de funcionários saltando de oito para 25, e mais 10 a 15 contratações previstas.

Quem perde é o modelo de marketing das grandes desenvolvedoras de IA, acostumadas a divulgar seus próprios números em benchmarks abertos e sem fiscalização externa. Se a aposta da a16z se confirmar, o índice que hoje sai do press release da OpenAI, do Google ou da Anthropic pode em breve valer menos do que o carimbo de uma avaliadora que ninguém dentro dessas empresas controla.

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