
Valuation da Revolut salta 53% e chega a US$ 115 bi
Nova venda secundária de ações eleva o valor da fintech britânica Revolut a US$ 115 bilhões, alta de 53% em relação a novembro de 2025, enquanto a empresa se prepara para lançar um banco completo nos EUA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O salto na valuation
A fintech britânica de bancos digitais e cartões Revolut concluiu uma nova venda secundária de ações que elevou sua valuation para US$ 115 bilhões, um salto de 53% em relação aos US$ 75 bilhões registrados em novembro de 2025. A comparação histórica é ainda mais expressiva: em 2024, a empresa era avaliada em US$ 45 bilhões, o que significa que seu valor mais que dobrou em dois anos.
A operação foi uma venda secundária — ou seja, não houve entrada de capital novo no caixa da empresa. Funcionários e investidores que já detinham participação puderam vender parte de suas ações, negociadas a aproximadamente US$ 2.017 cada.
Quem ganha, quem perde
A rodada foi liderada por Glade Brook Capital Partners, Coatue, Durable Capital Partners, contas assessoradas pela gestora de investimentos T. Rowe Price Associates e Baillie Gifford. Para esses fundos, a aposta na Revolut se consolida como uma das histórias mais rentáveis do setor fintech global, com a empresa reportando US$ 6 bilhões em receita e US$ 2,3 bilhões em lucro antes de impostos em 2025, além de margem de lucro de 38%.
Fundada em 2015 por Nik Storonsky e Vlad Yatsenko, a Revolut hoje atende mais de 80 milhões de clientes no varejo em mais de 40 países. Quem fica em desvantagem nesse movimento são concorrentes locais nos mercados onde a empresa expande suas licenças bancárias — caso de França, Colômbia e Argentina — além de rivais diretos nos EUA.
Mira no mercado americano
A valorização acontece enquanto a Revolut se prepara para lançar operações bancárias completas nos Estados Unidos, previstas para o primeiro semestre de 2027. Atualmente, a empresa opera no país sob licenças estaduais de transmissão de dinheiro e já movimenta cerca de £1 bilhão (US$ 1,35 bilhão) mensalmente em transações via sua unidade de negócios. Ao entrar como banco pleno, a Revolut passa a disputar espaço com players como Chime e Cash App.
Em 2026, a fintech também lançou operações bancárias no Reino Unido, México, Austrália e Nova Zelândia. A unidade Revolut Business já responde por cerca de 20% do lucro bruto do grupo, com mais de 800 mil clientes corporativos e meta de atingir 1 milhão até 2027.
Com a nova valuation, o mercado já especula sobre um IPO da Revolut a partir de 2028, com listagens possíveis em Nova York e Londres e valuation estimada em até US$ 200 bilhões — caso os números projetados se confirmem.